AntesAs doenças externas dos olhos e as técnicas cirúrgicas para a correção estética e funcional de problemas oculares foram os temas do 1º Simpósio Oftalmológico Interativo Via Satélite (SOIS/1997), que reuniu no último sábado, oftalmologistas de mais de 30 cidades brasileiras, incluindo Curitiba e Londrina. O evento foi patrocinado pelo laboratório farmacêutico Allergan Frumtost e transmitido de São Paulo via satélite.
No primeiro bloco, foram apresentados os quadros de diagnóstico e tratamento do herpes ocular, conjuntivites alérgicas, conjuntivite por adenovírus e tracoma. Cada item do programa foi apresentado por um especialista. Ao final de cada bloco, os palestrantes responderam perguntas enviadas por fax de oftalmologistas das cidades participantes.
Pesquisas mostram que o número de casos do herpes ocular tem crescido significativamente nos últimos anos devido à disseminação da Aids, que desencadeia o aparecimento da infecção desse gênero por causa das deficiências no sistema imunológico. O uso de colírios com corticóides também facilita a instalação da doença, que pode até levar à cegueira.
Já as conjuntivites podem ser causadas por substâncias alérgicas como o pó e o ácaro. Para o oftalmologista Élcio Hideo Sato, da Escola Paulista de Medicina, deve-se evitar terapias agressivas. O tratamento consiste em afastar as substâncias que causam a alergia e fazer uso de compressas e colírios sem corticóides.‘‘Nos casos mais graves, a conjuntivite pode levar à severas baixas de visão’’, alertou. A chamada conjuntivite por adenovírus, pode ser transmitida até por piscinas mal cloradas. De acordo com o oftalmologista Sidney Faria e Souza, o tratamento com colírios a base de corticóides pode ser indicado em casos de visão muito baixa, doença em curso prolongado e a pedido do paciente.
ReproduçãoDepoisCirurgia plástica corrige o ectrópio: nome científico da doença ocular que faz os cílios rasparem no olho
Ainda na parte de doença ocular, foi apresentado pela oftalmologista Norma Medina, o quadro epidemológico do tracoma no Brasil. O tracoma é uma infecção persistente da conjuntiva e da córnea, provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis - segunda maior causa de cegueira no mundo. A doença é transmitida de pessoa para pessoa em áreas com pouco saneamento básico. Nos últimos 10 anos, a incidência do tracoma aumentou expressivamente no País, devido às condições precárias de higiene dos bolsões de pobreza. Em 1995, foram registrados 30 mil casos. O tracoma causa a formação de cicatrizes na pálpebra, podendo provocar a perda de visão. A doença pode ser controlada em 45 dias, porém o tratamento é prolongado à base de medicamentos. A vigilância da epidemia e a melhora da saneamento básico das cidades são imprescindíveis para o seu controle.
Farol baixoNa área da plástica em oftalmologia, um dos temas que mais desafiam os especialistas é a ptose palpebral, doença ocular conhecida como ‘‘farol baixo’’. A principal característica da ptose é a pálpebra superior caída e seus portadores parecem estar sempre olhando para baixo. A ptose é um problema estético e, ao mesmo tempo funcional. Pode ter origem congênita, ser causada por traumatismo, paralisia, meningite, sequela de cirurgia de catarata ou infecções do nervo responsável pela elevação da pálpebra. Além do prejuízo estético, com o tempo a ptose pode causar deficiência visual e grande incômodo. O diagnóstico é feito através do exame clínico da medida da ptose que segue padrões mundiais. A ptose em crianças pode afetar o desenvolvimento da visão. Em alguns casos, a doença desaparece com o tempo.
De acordo com o oftalmologista Henrique Kikuta, o alvo da cirurgia plástica é simetrizar o contorno e a quantidade de pele da pálpebra do paciente. A cirurgia da ptose se baseia no encurtamento da musculatura que eleva a pálpebra superior. ‘‘A quantidade de caimento da pálpebra vai determinar a técnica’’, explica o médico. O resultado pós-operatório é imediato e satisfatório na maioria dos casos. Porém, antes da intervenção o especialista obseva os seguintes pontos: tratar ou esperar o problema regredir; operar primeiro o estrabismo que pode ser a causa da ptose.
O posicionamento da margem palpebral e as novidades em próteses orbitárias fecharam o programa do 1º SOIS. A pálpebra inferior virada para fora ou para dentro é uma doença ocular externa com nome científico de entrópio e ectrópio. Quando a pálpebra inferior está virada para fora, o paciente tem um ressecamento dos olhos, que pode sofrer uma descamação e consequente ulceração. Esse processo pode levar até à deficiência visual. Já o ectrópio faz com que os cílios raspem no olho, irritando-o e proporcionando a formação de buracos em sua superfície.
Os novas próteses orbitárias são implantadas quando o paciente perde o olho por doenças como o câncer, infecções graves, glaucoma ou acidentes. Apesar de não recuperar a função visual, as novas técnicas permitem a recuperação estética do olho e a melhora da auto-estima do paciente.

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