DocuWorld avalia o mercado digital
Jackeline Seglin
Enviada a São Paulo
Pelo terceiro ano consecutivo, a multinacional Xerox realizou em parceria com outras empresas do ramo tecnológico o DocuWorld 99, evento sediado no Centro de Convenções do Hotel Meliá São Paulo nos dias 20, 21 e 22 de julho.
Além da apresentação de novos produtos e soluções, o DocuWorld realizou palestras com especialistas de todo o mundo sobre suas experiências na utilização de tecnologias digitais. Uma delas abordou o tema Mercado Editorial na Era Digital, com Ricardo Rangel, autor do livro Passado e Futuro da Era da Informática (Editora Nova Fronteira, 248 págs. R$ 26,00). O especialista - que também é gerente de suporte e tecnologia do Banco Icatu, no Rio de Janeiro - falou sobre o impacto da informática no mercado editorial.
De todas as etapas do processo editorial, algumas já estão operando na era digital (redação e edição, projeto gráfico e composição). Outras, se iniciam no processo e já dispõem de soluções no mercado, como a impressão, a encadernação e a venda ao consumidor. A impressão sob demanda, por exemplo, agiliza o processo e acaba com o problema do livro fora de catálogo, diz Rangel. Quanto à venda, o consumidor já tem acesso direto à compra pela Internet. Mas o problema com distribuição continua por causa do custo elevado e do prazo de entrega, diz ele.
Para o futuro, explica o especialista, estão sendo estudadas soluções nas etapas de absorção da informação, distribuição e remuneração do autor. Claro que existe um grau de especulação e conjectura muito grande, observa.
O meio eletrônico (computador ou e-book) tem apresentado bons resultados nas aplicações com textos curtos ou notícias, obras de referência (como enciclopédias), várias obras simultâneas, pelo acesso a múltiplos idiomas, a capacidade de anotação e a integração com dicionários e glossários. Mas ainda não dá para ganhar do papel, que é leve, maleável, barato, tem alto contraste, dispensa energia elétrica e jamais apresenta bugs. O livro em papel tende a permanecer predominante, constata o especialista.
As etapas mais complicadas parecem ser as finais. Ainda não digitalizada, a distribuição tende a seguir esse caminho, na opinião de Rangel. Essa etapa, enumera ele, vai viabilizar a impressão de baixa escala, a impressão imediata para o consumidor e o fim do encalhe e do livro em falta. Sem contar a diminuição de custos (mais de 50%). Você vai chegar na livraria e pedir um livro. Não tem, mas se esperar dez minutos o material pode ser impresso na hora, exemplifica.
A distribuição eletrônica pode tornar-se um problema para os distribuidores. De acordo com o especialista, as editoras se concentrariam apenas no conteúdo e terceirizariam o espaço fabril. Já as livrarias tornariam-se mini-gráficas (o que também pode vir a ser um problema para as gráficas). Isso geraria uma diminuição da margem de lucro e do risco, com gigantesca aceleração do processo e aumento do mercado. Mas como checar o controle de qualidade da impressão? É outro problema, mas isso pode ser feito por amostragem, sugere.
A capa do livro poderia ser feita no processo convencional (na hipótese de distribuir somente a capa). Mas há impressoras que produzem capas de ótima qualidade. Com isso, mais uma vez aparece a tendência da livraria tornar-se uma mini-gráfica. A opção do leitor vai contar muito. Mas tudo isso é futurologia, assume.
Com a digitalização total do processo, outra possibilidade é a distribuição direta para o leitor (que imprime se quiser e onde quiser) e a democratização total da publicação. Por outro lado, aparece também a pirataria em larga escala e a predominância do domínio público, além da importante questão: seria a morte do direito autoral? Como remunerar a produção intelectual, como impedir a cópia? Não impede, diz Rangel. As hipóteses seriam o patrocínio ou as subscrições (assinaturas), sugere. Mas, de qualquer forma, Rangel admite que a questão é muito séria, complicada e de difícil solução.
A jornalista viajou a convite da Xerox do Brasil





