Do mundo material para o mundo dos bites
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quarta-feira, 16 de março de 2011
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
Acervos de museus, bibliotecas, órgãos públicos sofrem com a ação do tempo. O papel, sujeito às condições do ambiente, se deterioram com o agravante de, muitas vezes, serem insubstituíveis. Com o tempo, foram criadas soluções para o problema: a microfilmagem ampliou o tempo de sobrevivência de materiais perecíveis para 100 anos. Hoje, a digitalização é tida como a salvação dos acervos. Do mundo material para o mundo dos bites, documentos importantes para a humanidade não morreriam mais. Mas será que existem mesmo garantias?
O Arquivo Público da Secretaria de Obras de Londrina guarda todas as plantas de imóveis, muito usadas por engenheiros. ''Além de ser difícil de localizar no papel, são documentos de guarda permanente mas que se perdem com o tempo. E pelo arquivo ser muito grande, vimos a necessidade de digitalizar os documentos'', explica a diretora de Gestão da Informação e Arquivo Público, Ana Sílvia Loureiro.
O processo começou há cerca de três anos, mas como a cada dia chegam 40 a 50 novos processos, apenas uma pequena parte dos imóveis dos bairros com a letra ''A'' foi digitalizado até agora. ''São cerca de 2 milhões de documentos. Para fazer o serviço por terceiros fica muito caro, por isso optamos por fazer aqui mesmo.'' Um software foi desenvolvido exclusivamente para o setor para o cadastro e consulta de processos.
No Museu Histórico de Londrina, o acervo está sendo digitalizado há uma década. Documentos de famílias pioneiras, listas telefônicas da década de 50, atlas do café, cartas de George Craig Smith, livros de registro de eleitores anteriores a 1986, revistas e jornais são repassados do papel para o formato digital.
A preocupação veio com a necessidade de proteção do acervo e de agilizar a consulta. O museu pretende, ainda este ano, modernizar o site na internet para consultas on-line. ''Antes, o pesquisador tinha que estar presente no local de documentação. Hoje se tem a possibilidade de consultar pela internet'', frisa a diretora do museu, Angelita Marques Visalli. ''A digitalização só surte efeitos positivos no sentido de divulgar a informação e desenvolver o conhecimento.''
Dois scanners digitalizam documentos em formato pequeno, mas para os formatos maiores, foi improvisada uma microfilmagem com o uso de uma máquina fotográfica, pois o equipamento apropriado ainda está em fase de aquisição: a câmera é fixada em uma mesa acima do documento para a fotografia. Os arquivos são então armazenados em CDs, com duas, ou até três cópias, para caso algum se danifique.
O desafio da preservação de documentos históricos hoje é conviver com a migração constante de suportes de armazenamento e de equipamentos. ''E quando digitalizou, transformou toda essa informação em bites. Digitalizar é mais barato e permite a disseminação do conteúdo, mas corre-se o risco de perder as informações e exige um backup'', acrescenta Edson Holtz Lemes, técnico do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''É legal digitalizar, mas a gente fica com um pé atrás''.
No CDPH, as informações são guardadas em CDs. Mas uma máquina digitalizadora de documentos de grande porte, adquirida em outubro do ano passado, está demandando computador com mais memória e vai exigir, mais tarde, inclusive, espaço no servidor da universidade.


