Um rapaz engravatado entra esbaforido no ônibus:
- Alguém topa vender dois crachás para a feira por US$ 10?
A cena aconteceu num dos ônibus alugados para transportar visitantes dos hotéis de Nova York para a PC Expo 98, evento que reuniu, de terça a quinta-feira da semana passada, a nata da indústria de informática. O ônibus já estava deixando o Jacob Javits Center, o maior centro de convenções do mundo, que é todo de vidro e foi idealizado por I.M. Pei - o mesmo que criou a pirâmide do Louvre - e o moço não queria entrar na fila do cadastramento (grátis, na maior parte dos casos). Disse que tinha apenas 45 minutos para visitar a feira e, portanto, precisava logo dos crachás. Uma mocinha de cabelo rastafári o atendeu e ele partiu correndo.
O episódio ilustra bem a agitação que cerca um evento do porte da PC Expo. A feira não é assim uma Comdex de Las Vegas, que ocupa diversos pavilhões e recebe visitantes - aos borbotões - de todo o mundo. Ela é mais local, se é que a gente pode referir-se assim a um acontecimento na internacional Nova York. E, se aqui não houve uma tendência tecnológica dominante, como às vezes acontece na Comdex, houve uma surpresa: a indústria de informática descobriu, em peso e finalmente, a palavra design.
DivulgaçãoExemplos foram alguns modelos de monitores. O Panaflat LC50, um monitor flat-panel, com resolução de cair o queixo e charme, muito charme. Combina direitinho com o qualquer escritório. A IBM também não descuidou das formas e está trabalhando cada vez mais do design de seus lançamentos. O monitor Flat Panel, 14 polegadas, que pode ser adquiro por US$ 1.199, se transformou em objeto de desejo para muitos visitantes da PC Expo.
A Xerox está mais Brasil do que nunca. Executivos da companhia anunciaram, durante a realização da feira, que a subsidiária brasileira (a segunda mais lucrativa da Xerox, atrás apenas da americana) deverá começar a fabricar impressoras no País a partir do ano que vem.
Disposta a atuar de forma cada vez mais agressiva no mercado SoHo (e brigar de igual para igual com a HP, sua concorrente direta), a Xerox aproveitou o evento para lançar quatro novas máquinas: duas impressoras laser e duas jato de tinta. Elas só devem chegar ao Brasil entre agosto e setembro - custando o dobro ou mais, é claro, seguindo o que vem tradicionalmente acontecendo no nosso mercado.
O anúncio de que a companhia pretende fabricar equipamentos em Manaus - e exportar para todo o Mercosul - foi feito pelo francês Pierre Danon, presidente mundial de Canais, que deixou Nova York na quarta-feira passada e partiu para o Brasil, com a intenção de intensificar a participação da Grande X no cobiçado mercado low-end.
‘‘Queremos ter máquinas Xerox sendo vendidas no Brasil em supermercados, lojas de departamento, redes de eletrodomésticos’’, disse ele. ‘‘Na França, vendemos equipamentos no Carrefour, por exemplo. Quem sabe não faremos o mesmo com a rede Carrefour brasileira?’
A estratégia da Xerox, sob um novo slogan ‘‘A different kind of Xerox’’, ou seja, ‘‘Um tipo diferente de Xerox’’, é clara, como explicou Danon: estar presente de maneira intensiva em todo o mercado, desde o SoHo ao corporativo. Isso em nível mundial.
No caso específico do Brasil, onde a marca Xerox chegou ao ponto de ser sinônimo de cópia, eles pretendem ser líderes na área de pequenos negócios, valendo-se da fama e do marketshare conquistados no mercado dos grandes. Ou seja, não querem ser conhecidos como uma empresa voltada exclusivamente para clientes parrudos. ‘‘Queremos ser a ponte entre o documento em papel e o documento digital, em todos os níveis do mercado’’, afirmou o presidente de Canais.
Entre as novas impressoras apresentadas na feira, duas interessarão especialmente ao mercado doméstico: a Docuprint XJ6C, uma inkjet colorida que imprime sete páginas por minuto (ppm) no modo preto & branco e duas páginas e meia no colorido, com uma resolução de 1.200 x 600dpi (dot-per-inch, ou ponto por polegada); e a Docuprint XJ8C, também jato de tinta, que trabalha com 8ppm no modo P&B e quatro no colorido, com 1.200dpi de resolução. A primeira vai custar (nas lojas dos EUA) US$ 199 e a segunda, US$ 269, com três anos de garantia.
Os dois modelos de laser são a DocuPrint N40, que opera com 40ppm e tem preço de sugestão de US$ 3.500, e a N17, com suas 17ppm e custando US$ 999. Segundo Danon, ambas são as armas da empresa para combater o poder de fogo da HP, com suas HP 8000N e HP4000.

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