No site da ‘‘Free’’ (Forum for Responsible and Ethical E-mail), há uma lista que toda vítima de spammers deve ler: as desculpas que vêm no fim das mais descaradas mensagens. Sob o título ‘‘Stupid Spammer Excuses’’, ela mostra até onde pode chegar a audácia dos spammers: ‘‘Esta mensagem não é e-mail não-solicitado, pois você recentemente esteve num site ligado a este tipo de material. Se a recebeu por engano, basta responder com o subject ‘remove’. ‘‘Isto não é spam! Nossa lista só funciona por subscrição!’’ ‘‘Se você está recebendo esta mensagem, é porque seu endereço foi encontrado na Web usando-se certas palavras-chave.’’ ‘‘Olá, eu recebi seu endereço de e-mail como o de alguém interessado numa legítima oportunidade de negócios’’, ‘‘Parabéns! Você foi selecionado para participar de um estudo de marketing em que receberá produtos GRÁTIS sem QUALQUER CUSTO.’’
O protesto da fabricante do spam Dona da carne enlatada que inspirou a gíria na Web escreveu à Agência Globo que a expressão ‘‘spam’’ vem de um esquete do grupo inglês Monty Python que faz miséria com a palavra, usando-a como gag recorrente no texto, que se passa numa lanchonete. Sim, pois spam é originalmente uma marca americana de carne enlatada.
O próprio site do verdadeiro Spam, no endereço www.spam.com, é até divertido, com a impagável gif animada de um peru repetindo ‘‘spam, spam, spam!’’, mas a política da empresa que o fabrica (a Hormel Foods) é bem rígida.
Veja a cartinha mandada em resposta ao pedido de uso de uma foto de sua latinha nesta reportagem: ‘‘Foi-nos informado que estariam publicando uma reportagem sobre a prática do envio de mensagens não-solicitadas, método que muitos chamam de spam, e que indagaram acerca de que link poderíamos indicar a seus leitores para que eles acessassem nossa página. Também teria sido pedida uma imagem da clássica refeição spam de carne enlatada’’.
‘‘A refeição spam de carne enlatada é um produto de alta qualidade. Tentamos evitar qualquer associação entre nosso produto e a condenável prática de envio de mensagens não-solicitadas. E fazemos objeção ao uso do nosso produto como um símbolo do envio dessas mensagens ou de qualquer debate relacionado ao assunto. Usar uma imagem sob essas circunstâncias seria o mesmo que mostrar uma lata de Coca-Cola num artigo sobre cocaína. ‘‘Por favor, compreendam que não nos opomos ao uso da gíria ‘spam’ para definir mensagens não-solicitadas’’.
‘‘No entanto, usar a imagem de nosso produto pode gerar confusão quanto ao objetivo e ao assunto da reportagem. Além disso, poderia ainda promover a associação entre nosso enlatado e essa prática censurável e sem ética que é o envio de UCE (Unsolicited Commercial E-mail), a qual procuramos desassociar o máximo possível do nosso produto. Agradecemos desde já sua compreensão e cooperação nesta questão. Patricia I. Reding, advogada, departamento jurídico da Hormel Foods Corporation.’’ Eles, naturalmente, têm toda a razão. (A.G.)

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