Descoberto processo de degeneração da memória
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de agosto de 1998
France Presse 
Cientistas canadenses afirmam ter criado através de engenharia genética um rato transgênico que pela primeira vez apresenta a capacidade de simular o comportamento de pessoas afetadas pelo Mal de Alzheimer e seus sintomas.
Segundo o jornal Globe and Mail, o trabalho dos cientistas, cujos resultados foram publicados na revista britânica Nature, gira em torno do papel desempenhado pelo desenvolvimento desordenado de uma substância de defesa das células do cérebro denominada beta-amilóide.
Segundo os cientistas da equipe dirigida pela Dra. Josephine Nalbantoglu, do Departamento de Neurologia da Universidade McGill de Montreal, estes ratos oferecem o modelo mais próximo já elaborado desta doença que aparece nos seres humanos e permitem estudá-la nas primeiras etapas de seu desenvolvimento, isto é, antes que se formem os acúmulos de beta-amilóide.
Os estudos costumam ser feitos em cérebros humanos depois da morte e as pesquisas, portanto, se concentram nas últimas etapas da doença, quando já se formaram os acúmulos de beta-amilóides.
Segundo as análises efetuadas nesses roedores mutantes, o cérebro produz beta-amilóide para defender-se da doença. Um cérebro em bom estado elimina naturalmente esta substância, mas um cérebro doente a acumula como cachos de uva. De acordo com os cientistas, este acúmulo provocaria danos na memória dos doentes.
Até agora, segundo os cientistas, estimava-se que a demência de que sofrem as pessoas afetadas pelo Mal de Alzheimer era causada por este acúmulo de beta-amilóide, mas agora, com estas pesquisas, a doença, ao que parece, é anterior ao acúmulo e a provoca.
A criação desses ratos deverá permitir testar medicamentos para evitar a deterioração da memória, enquanto não se descobre a origem em si da enfermidade.
Os outros animais que servem de modelo nesta doença não desenvolvem demências de forma tão impressionante como este rato (...), e este modelo vai forçar os cientistas a concentrarem-se nas etapas que precedem imediatamente a formação dessas placas de beta-amilóide, adianta Rudy Tanzi, diretor da unidade sobre envelhecimento e genética do Hospital Geral de Harvard, nos Estados Unidos.
O Mal de Alzheimer, doência neurodegenerativa progressiva, provoca distúrbios na função cognitiva, demência e depois a morte.
Nos Estados Unidos, esta enfermidade converteu-se na quarta causa de morte, com 100 mil óbitos por ano. Na França, o número de pessoas que sofrem deste mal está estimado em 270 mil e entre 3 e 30% dos doentes têm entre 70 e 85 anos.


