A professora Shirlei Mara Sambati, de Londrina, é portadora de deficiência visual e trabalha no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos. Para ela, a deficiência visual pode deixar de ser uma barreira para quem quer aprender informática. ‘‘Desde que o deficiente esteja trabalhando com o programa adequado não há problema algum em desenvolver atividades no computador’’, diz.
Professora de braille e sorobã (instrumento de calcular do portador de deficiência visual), Shirlei também dá apoio acadêmico a alunos e orientação aos professores do ensino regular. Há cerca de três anos, ela descobriu o programa DosVox, um sistema operacional sonoro desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. ‘‘É um programa completo e de baixo custo, o que facilita o acesso’’. Surgiu, então, uma ferramenta essencial no trabalho e na vida da professora.
O DosVox tem instruções desde o primeiro contato da pessoa com o teclado - reconhecimento e familiarização - até as tarefas comuns realizadas na informática. ‘‘Tem editor de texto, arquivos, três tipos de impressão, lazer (jogos e agendas), leitura soletrada e corrida. E tudo em português’’. Outro recurso do programa é o Discavox, que pode ser conectado à Internet para fazer pesquisas ou para a comunicação com outras pessoas, que tenham ou não o DosVox.
Para instalar este programa, é necessário um multimídia ou um sintetizador de voz que pode ser ligado na porta serial do computador. O DosVox já está na versão 1.4 B e vem em 11 disquetes: 10 do programa e um de atualização.
A maior contribuição da informática na vida do portador de deficiência visual, segundo Shirlei, é a independência, tanto no campo acadêmico, quanto no trabalho e na vida prática. ‘‘Hoje podemos fazer muitas coisas sozinhos. Um aluno que tenha um micro e o programa pode realizar todo um trabalho, imprimir e passar direto para o professor. Com o braille, precisávamos de uma pessoa especializada para interpretá-lo’’.
Shirlei avisa que o programa tem livre distribuição. ‘‘Os interessados podem nos procurar para fazer cópias. Basta levar os disquetes’’. As pessoas que quiserem conhecer o trabalho do Instituto também podem ligar e agendar com a professora. O telefone é (043) 327-4330. (Jackeline Seglin)

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