O vírus ‘‘I love you’’ começou a se propagar no último dia 4, a partir das Filipinas. A disseminação foi extraordinariamente rápida, superando por larga margem a do vírus Melissa: em poucas horas, afetou 250 sítios, infectando 300 mil máquinas. Em cinco dias, infectou 50 milhões de máquinas em todo o mundo e causou alegados prejuízos de US$ 10 bilhões.
Na verdade, trata-se de um ‘‘worm’’, não de um vírus. A diferença é sutil: vírus são programas, sempre contidos em arquivos executáveis, enquanto ‘‘worms’’ produzem efeitos semelhantes, mas não estão contidos em executáveis: o ‘‘I love you’’ é um script desenvolvido em uma linguagem de programação da MS denominada Visual Basic, ou VB.
Em sua forma original (mas não a única: leia adiante sobre as variantes) o vírus é enviado como um arquivo anexado a uma mensagem de correio eletrônico cujo assunto (‘‘subject’’) é ‘‘Iloveyou’’. Muitas vezes a mensagem provém de pessoa conhecida, em quem se confia (quando se instala em uma máquina, o vírus envia uma cópia de si mesmo a todos os integrantes do Catálogo de Endereços da vítima à sua revelia). No corpo da mensagem há apenas a frase ‘‘kindly check the attached LOVELETTER coming from me’’ (‘‘tenha a bondade de verificar a carta de amor anexada remetida por mim’’). O anexo é um arquivo intitulado ‘‘LOVE-LETTER-FOR-YOU.TXT.vbs’’, assim mesmo, todo em maiúscula exceto pela extensão Vbs, que indica tratar-se de um script em VB (as regras para nomear arquivos em Windows permitem usar pontos em mais de um local do nome, mas a extensão que define o tipo de arquivo será formada sempre pelas letras após o último ponto; no caso, a aparente ‘‘extensão’’ TXT - em maiúsculas para chamar mais atenção - é apenas mais um engodo engendrado pela mente malsã que criou o vírus para fazer crer que se trata de um inocente arquivo texto).
O vírus é instalado assim que se abre o anexo, em geral através de um duplo clique sobre seu ícone, portanto abstenha-se de abri-lo. Usuários de Linux e seus diversos sabores, assim como do Mac OS, não são afetados pelo vírus, mas podem propagá-lo passando adiante mensagens que o contenham.
Sendo um script em Visual Basic, o vírus pode ser modificado facilmente. Não se iluda, não é necessário ser um gênio da programação para efetuar as alterações: qualquer idiota com noções básicas de VB pode fazê-lo (na verdade, para criar uma variante de um vírus, ser idiota é condição necessária, embora não suficiente). Portanto não é de admirar que as variantes tenham se multiplicado tão rapidamente. Quase todas diferem do original apenas em detalhes.

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