Usuários que têm plano de internet contratado junto a uma operadora já devem ter se questionado sobre as mudanças nos ícones que sinalizam a conexão no aparelho. Quem tem um plano 3G, por exemplo, certas vezes é surpreendido pela mudança do símbolo para a letra E, H ou H+. No primeiro caso, a lentidão da conexão é imediamente sentida, mesmo que não se saiba o porquê.
José Ricargo Garcia, especialista no mercado de telecomunicações, explica que os sinais identificados pelos usuários estão relacionados à tecnologia de transmissão de dados móvel, dependendo da operadora contratada e do local em que o usuário se encontra. "Sinais como H ou H+ são nomes técnicos para a tecnologia 3G, que é o nome comercial; agora, se aparecer um E significa que o aparelho foi para uma nova estação radio-base, com tecnologia inferior", detalha.
Garcia diz que um aparelho com tecnologia 4G, por exemplo, geralmente vai mostrar este símbolo ou o LTE. "Contudo, se o usuário está em uma localidade em que a sua operadora não tem a tecnologia 4G, como as bordas das cidades, e aparece um E, ele irá navegar na internet mas em velocidades muito baixas", detalha.
Os ícones estão relacionados à taxa de transferência de dados utilizada pela operadora e contratada pelo usuário. A primeira geração de transferência de dados disponível no Brasil, hoje conhecida como 2G, foi o GPRS, que chegou junto com a tecnologia GSM. Hoje, existe também o EDGE. A velocidade é crescente de uma para a outra tecnologia (ver info), mas todas são inferiores à terceira geração (3G), que compreende outras três tecnologias: WCDMA (UMTS), HSPA, HSPA+. Hoje já existe a LTE, conhecida como 4G. São as primeiras letras de cada tecnologia que aparecem na tela dos aparelhos.
Nas tecnologias 3G, as taxas máximas de transferência de dados variam de 2 megabits por segundo (Mbps) a 42 Mbps. No 4G chegam a 100 megabits por segundo (Mbps). Garcia acrescenta que, em casos de aparelhos que suportam apenas tecnologia inferior à ofertada pela operadora no local, a conexão respeitará este limite.
"Se o usuário de um aparelho 3G está em uma localidade com 4G, a velocidade daquela antena é de alta tecnologia, mas se o aparelho não suporta, automaticamente a velocidade é nivelada pelo equipamento", explica. Podemos entender, portanto, que a mudança de ícone na tela do aparelho está diretamente relacionada ao local em que o usuário se encontra. E qualquer interferência pode provocar a mudança.
"Quando o ícone muda dentro do mesmo local pode ser uma nuance de sinal interno, pode ter interferência de uma parede, algo assim; pode ser também que o transmissor do celular esteja com defeito", esclarece Mary Feliciano, do departamento de Engenharia e Planejamento da Sercomtel. Segundo ela, antes da instalação de torres a operadora realiza um cálculo, por meio de um software, para estimar o alcance e a capacidade de cada uma. Hoje, a Sercomtel tem mais de 50 estações radio-base na zona urbana e rural de Londrina.
Flávio Borsato, diretor de operações da empresa, lembra que a operadora adotou o GSM em Londrina no ano 2000 e, junto com ele, veio a GPRS. Na sequência, apareceu o EDGE, com velocidade três a seis vezes superior que o anterior. "Por volta de 2005 surgiu o conceito de terceira geração; depois veio o conceito da banda larga HSPA", relembra.

Suporte
Adriano Sepe, professor de Análise de Desenvolvimento de Sistemas da Unopar, explica que os smartphones têm suporte para uma infinidade de tecnologias, no entanto, depende da cobertura da operadora. "Ela vai cobrir o máximo da cidade, mas as tecnologias avançam. Se o smartphone suporta 4G mas a operadora não oferece, então fica sub-utilizado", diz.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou, por meio de sua assessoria, que a operadora tem que garantir 80% do município coberto para que este seja considerado atendido por determinada tecnologia.

Imagem ilustrativa da imagem Decifrando sua conexão



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