De torpedos a apps de mensagens
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Mie Francine Chiba <br>Reportagem Local 
Em época de WhatsApp, os mais novos já nem sabem muito bem o que é um SMS. O famoso "torpedo", ou Short Message Service (SMS), já foi muito popular, e isso não faz muito tempo. Acontece que, com a popularização dos planos de dados, os usuários de smartphones resolveram deixar o SMS um pouco de lado e substituir o serviço pelos aplicativos de mensagem, como o famoso WhatsApp, o Messenger (ambos do Facebook), Skype (Microsoft), Viber, Hangouts (Google), etc.
Uma pesquisa que compara o uso do WhatsApp, Messenger e SMS o Panorama Mobile Time/ Opinion Box: WhatsApp x Messenger x SMS mostra que o primeiro é o preferido dos usuários de smartphones. Quase 90% dos usuários afirmaram que possuem o app instalado no seu aparelho e que o utilizaram nas últimas 24 horas. Metade dos entrevistados responderam o mesmo referindo-se ao Messenger, enquanto apenas 35% afirmaram que enviaram um SMS no último dia.
Mais de 20% disseram ainda que não fazem mais tanto uso do SMS. Entre os principais motivos, estão a preferência por aplicativos de mensagem (42%) e o custo do serviço (38%).
"Só WhatsApp", responde a vendedora Ane Marques quando perguntada sobre a forma de comunicação via mensagem mais utilizada. "Hoje mandei um SMS, mas só porque a pessoa não atendia e eu estava sem internet." O motivo para a preferência pelos aplicativos de mensagem está na praticidade de não ter que pagar por um outro serviço. "Já pago a internet mesmo. E todo mundo já está ligado (no WhatsApp). Sem contar que dá para fazer grupos. Trabalho com vendas e isso é ótimo."
Diante deste novo cenário de uso das mensagens, as operadoras começam a mudar suas estratégias de negócio. Antes considerado o Serviço de Valor Agregado (SVA) de maior importância, o SMS, que trafega no serviço de voz, agora cede espaço aos serviços de dados - meio no qual operam os aplicativos de mensagens - na adesão dos consumidores. Como resultado, os prestadores de serviços de telecomunicações passam a investir mais nos serviços de dados e em ofertas que possam agregar mais clientes a este serviço.
"Vai depender do desenvolvimento do mercado, mas entendo que um dia a voz será mais um benefício, e não uma tarifação", afirma Carlos Eduardo Spezin Lopes, diretor comercial da Tim Sul, para quem, um dia, tanto as chamadas de voz quanto os SMS poderão ficar em segundo plano, face a concorrência com as ligações de voz sobre IP (Voice over Internet Protocol VoIP - ou Voz sobre Protocolo de Internet) e as mensagens enviadas por aplicativos.
O mercado aponta para este caminho. Segundo ele, a receita do serviço de SMS na operadora vem caindo "vertiginosamente" enquanto a receita de dados cresceu 45% só no último trimestre em comparação com o 2º trimestre de 2014. A receita de dados já corresponde a um terço da receita total da Tim, continua Lopes, e hoje quase metade dos clientes da empresa usa a internet móvel.
Devido à mudança de comportamento dos usuários da telefonia móvel, a operadora mudou a estratégia de negócio. Causou um grande rebuliço no mercado de telecomunicações ao firmar, no início deste ano, uma parceria com o WhatsApp para que seus clientes pudessem usar o serviço do aplicativo sem desconto na franquia de dados. "O futuro da telecom está no serviço de dados", declara Lopes.
"A nossa perspectiva é que isso é hoje mais uma oportunidade que uma ameaça", afirma Versione Souza, diretor da Claro para Paraná e Santa Catarina. Souza destaca que a receita de SVA cresce 40% ano sobre ano. Dentro dos planos da operadora, o acesso ao WhatsAps é gratuito, ou seja, não é descontado da franquia de dados.
A tendência de migração do SMS para os apps de mensagens pode ser percebida em todo o mercado de telecom. A receita de dados da Oi cresceu 56,1% no primeiro trimestre de 2015 frente ao mesmo período de 2014, afirmou Roberto Guenzburger, diretor de Produtos e Mobilidade da Oi, em nota enviada por e-mail. Com isso, o serviço de dados passou a representar 38,1% do total da receita de clientes.
Frente a estas mudanças, a Telefônica Vivo informou, via e-mail, que investe fortemente em SVA, e que possui mais de 40 milhões de clientes cadastrados nos serviços. Em 2014, a receita de SVA teve aumento de 42,6%. Hoje, dados e SVA representam 46,1% da receita móvel da operadora. "A evolução é provocada pelo sucesso nas vendas de pacotes e planos de dados e pelo crescimento e penetração dos smartphones na base de clientes", diz a nota.


