De olho na terceira geração de celular
Agência O Globo
Do Rio
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou nota há duas semanas adiando para o fim de abril a decisão sobre a escolha da frequência para a Banda C ou PCS (Personal Communications System). De um lado, a turma da frequência 1.9GHz com representantes como Ericsson, Qualcomm, Nortel e Lucent e que atuará com padrões TDMA ou CDMA, usados pelas operadoras de celular que já estão no Brasil. Na outra banda, estão Siemens, Nokia e Alcatel, do padrão GSM, que usa a frequência 1.8GHz.
Mas a discussão vai além de uma simples escolha de banda. Trata-se da última chance de o padrão GSM entrar no Brasil, maior mercado de telefonia celular da América Latina.
Cientes disso, os defensores deste padrão estão dispostos a investir bilhões de dólares para montar a infra-estrutura de rede aqui e convencer a Anatel de que a migração para os serviços de terceira geração seria muito melhor com o GSM. A prova disso foi a visita que representantes da União Européia marcaram com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, para defender a escolha da frequência 1.8GHz.
Previstos para entrar em operação em 2001 no Japão, os serviços de terceira geração diferem dos atuais (segunda geração, que inclui a Banda C) pela capacidade de transmissão de dados. Com os novos aparelhos, que só deverão entrar em funcionamento aqui após 2003, será possível navegar na Web com até 2 Megabits por segundo. Hoje, os celulares aptos para conexões com a Rede têm velocidade máxima de 64 Kilobits por segundo.
Num fórum apresentado semana passada no Rio pela Universal Mobile Telecommunications System (UMTS), órgão internacional, teoricamente independente, que trata de assuntos ligados à terceira geração de telefonia celular, Bernd Eylert, Chairman do UMTS, e Chris Wildey, vice-chairman da entidade, enalteceram as vantagens do GSM. O argumento deles é que nos serviços de terceira geração o importante é o espectro. Quesito em que o padrão GSM leva vantagens em relação aos concorrentes.
Terry Philips, representante da Omnipoint (fabricante da turma do GSM), era o terceiro palestrante do fórum. Ele argumentou que o padrão GSM foi o escolhido pela Europa e grande parte da Ásia e também opera nos EUA. Então, o Brasil teria mais vantagens se o adotasse, pois isso facilitaria o roaming internacional. Ao viajar, o usuário levaria apenas um cartão, que seria introduzido num aparelho local.





