Agência O Globo
Do Rio
A maioria dos usuários mal sabe quantas polegadas tem a tela diante da qual passa boa parte do dia. Conheça duas ou três coisas que todos deveriam saber a respeito da parte mais visível do seu equipamento
Durante muito tempo, os usuários conviveram com seus computadores em feliz ignorância. Qualquer cantinho da casa estava bom, e qualquer mesa improvisada servia, desde que houvesse uma tomada por perto: o importante era a máquina. Aos poucos, porém, costas, cotovelos e pulsos começaram a revelar que o humano postado em frente a ela também tinha lá o seu valor. Ou, pelo menos, os seus achaques. Assim como uma máquina mal configurada, um ser humano mal instalado também não consegue funcionar direito. Mas fizemos algum progresso. Hoje, praticamente não há quem compre seu primeiro micro sem se preocupar com uma mesa adequada - embora seja curioso observar que, apesar de toda a tomada geral de consciência, relativamente pouca atenção se presta ainda à parte do computador com a qual mais interagimos: o monitor.
Com exceção de profissionais especializados, que lidam com CAD, DTP e tratamento de imagens em geral, a maioria dos usuários mal sabe quantas polegadas tem a tela diante da qual passa boa parte do dia. Ela é aceita sem maiores questionamentos como parte de um pacote no qual itens como velocidade do processador ou tamanho de disco são invariavelmente mais discutidos. Nem é raro ver usuários que, apesar de fazer upgrades regulares nas suas máquinas, mantém, sempre, aquele velho monitor de 14’’.
Por trás desta atitude paradoxal há algumas causas óbvias. A primeira é que, com exceção dos novíssimos LCD (como essa maravilha fininha, caríssima, de cristal líquido aí ao lado), e dos modelos coloridos à la Mac, todos os monitores, vistos de fora, são mais ou menos iguais. A sua tecnologia, ao contrário da dos processadores, não evolui aos saltos. Como único elemento analógico num conjunto digital, eles são uma espécie quase incompreendida. Mas um monitor mal escolhido e, sobretudo, mal utilizado, pode virar uma baita dor de cabeça. Literalmente.
Uma das principais queixas de quem usa computador é a fadiga visual - problema que pode ir de simples irritação nos olhos à tal baita dor de cabeça do parágrafo acima. Monitores mal regulados, que ‘‘batem’’ constantemente, têm flickers e dificuldades de foco são garantia certa de fadiga visual. Ninguém, aliás, precisa ser especialista em oftalmologia para perceber isso. Mas o que pouca gente percebe é que a má disposição do monitor no local de trabalho é igualmente nociva:
‘‘As pessoas costumam instalar os monitores sem prestar a mínima atenção às condições do ambiente de trabalho’’, diz Thomas Heimann, diretor de produtos de informática da Samsung, e expert em ergonomia. ‘‘Mas há alguns pontos fundamentais para o bem-estar do usuário, como o lugar de onde vem a luz, por exemplo, ou a própria posição que ele adota em relação ao monitor.’’
A luz ambiente não deve ser excessiva, nem estar posicionada de forma a causar reflexos na tela. Esses reflexos - que a gente pode notar melhor com o monitor desligado - interferem tremendamente com a visibilidade. Os especialistas consideram muito benéfico uma referência visual para o mundo exterior, como uma porta ou janela, mas enfatizam que ela não deve estar nem à frente do monitor, onde criaria um campo de luz mais brilhante do que o da superfície de trabalho, nem atrás, pois se refletiria na tela.
Outro grande inimigo do bom relacionamento entre humanos e monitores é a sujeira. A eletricidade estática transforma a superfície das telas em colchões ideais para a poeira - que, como os reflexos, também pode ser conferida mais facilmente com o aparelho desligado. Por isso é recomendável usar, regularmente, um bom líquido anti-estático para a limpeza.
A posição e a distância do usuário em relação ao monitor são, também, uma questão delicada. Pouca gente leva esses detalhes em conta na hora de comprar os móveis - e aí, mais uma vez, o corpo acaba pagando o pato.
De modo geral, há duas regras que podem ser aplicadas aqui. A primeira diz respeito à distância, que, do usuário à tela, deve ser a extensão de um braço. A outra refere-se à linha de visão ideal: de preferência, a parte superior do monitor deve estar à altura do olhar, que flui naturalmente de cima para baixo. Um monitor alto demais é certeza de dor nos ombros e no pescoço.
O ponto mais polêmico dessa história, porém, é a emissão de campos magnéticos, alvo de inúmeros estudos mundo afora. A maioria é inconclusiva, até porque, atualmente, somos verdadeiras ilhotas em meio a mares eletromagnéticos - mas ninguém nega a possibilidade de risco, nem dos monitores, nem das dezenas de eletrodomésticos que nos cercam.
Em relação aos monitores, os atuais padrões de segurança nasceram na Suécia, o país mais atento à ergonomia e às questões de radiação. O primeiro deles, chamado MPR, foi estabelecido em 1987. Em 1991, foi revisto, e passou a se chamar MPR 2. Um terceiro padrão, ainda mais severo, foi instituído pela confederação sueca de trabalhadores. Os monitores que obedecem a este padrão recebem um selo com as iniciais da confederação, TCO. Procure por ele no seu próximo upgrade.

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