Dataprev gastará mais de R$ 20 mi para evitar bug
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de julho de 1998
Adriana Ferreira, Agência Estado 
Detentora da maior folha de pagamento da América Latina, com 18 milhões de aposentados e pensionistas, a previdência corre contra o tempo para não ser atropelada pelo bug do milênio, erro de leitura que afetará os computadores na entrada do ano 2000, caso não seja encontrada nenhuma solução. A Dataprev, empresa que coordena o sistema de computadores da previdência, fez uma parceria com a Unisys e criou o projeto Dataprev 2000, para que em agosto de 1999 todos os seus programas estejam corrigidos. A entrada no novo milênio vai custar caro: o valor do projeto é superior a R$ 20 milhões.
O Dataprev 2000 tornou-se uma prioridade desde 1996, quando os trabalhos para adequar o sistema à virada do século se iniciaram. Afinal, a previdência, que recebe contribuição de cerca de 2 milhões de empresas, não se pode dar ao luxo de resvalar neste caso, já que todo o pagamento de benefícios e a arrecadação são baseados em datas.
Com a constatação de que o trabalho era complexo e grandioso - são 400 técnicos envolvidos - foi necessária a contratação de uma empresa especializada em computação. Duas etapas estão sendo desenvolvidas. A primeira, em fase de conclusão, consistiu em um grande levantamento de dados, de fontes, e de avaliação do impacto na previdência. Fizemos um inventário de todo o ativo sistêmico, com mapeamento das dependências e entrevistas com chefias, contou o gerente do projeto Dataprev 2000, Gabriel Machado de Oliveira Freire, de 37 anos, há dois na empresa.
A etapa de renovação deve começar em agosto. A idéia é por em prática uma solução mista de duas técnicas: a expansão e o janelamento. Aumentar o campo da data de duas para quatro posições é o que se denomina de expansão. Simples: se antes o ano era registrado com dois algarismos, agora será com quatro. Segundo Freire, esta forma de marcar o ano com apenas dois dígitos foi adotada pelas empresas de todo o mundo para economizar. Naquela época os sistemas tinham memórias caras, garantiu. Há ainda algo de curioso. O campo de data tinha apenas dois espaços porque repetiu um hábito da sociedade, que geralmente só usa os dois últimos números do ano. Se você perguntar a alguém o ano em que estamos, certamente ela responderá 98 e não 1998, observou Freire.
Já o janelamento consiste em uma lógica numérica em que você pode adicionar ou subtrair alguns anos da data base que estiver trabalhando. Por exemplo: é possível acrescentar ou diminuir 20 anos em um campo de duas posições. De acordo com Freire, as duas técnicas serão adotadas porque não haveria tempo hábil para inserir em todo o sistema a técnica de expansão, que tem que ser toda testada antes do seu uso.
Antes mesmo do término do trabalho, em agosto de 99, alguns acertos já serão feitos. Freire lembra os casos em que um benefício, com previsão de 18 meses, terminarão no ano 2000. Temos que estar preparados para este tipo de cálculo que surgirá antes da virada do milênio, ressaltou o engenheiro, que ainda acrescentou que algumas máquinas deverão ser substituídas porque são antigas.


