Há cerca de 11 anos, o saxofonista e compositor Edgar Duvivier ainda penava para aprender as manhas do programa de notação musical Finale quando parou um minuto para prestar atenção no esforço do filho de um ano, que deixava de engatinhar para dar os primeiros passos de pé. Nascia ali a primeira composição de Duvivier com ajuda do Macintosh: ‘‘Começando a andar’’. Anos depois, a mesma música ganhou nova interpretação num CD acústico e foi rebatizada: agora se chama ‘‘Dando a volta por cima’’.
Os anos de trabalho no computador, entre uma versão e outra da música, ensinaram a Duvivier que é preciso usar o bom senso.
‘‘Quando os compositores começaram a trabalhar com micro, houve o deslumbramento com a música eletrônica’’ conta. ‘‘Agora, já estamos chegando a um ponto de equilíbrio; é a volta por cima da música acústica’’ completa ele, para quem a função do computador é diminuir o tempo entre uma idéia e a realização.
Sem áudio Duvivier trabalha com um Macintosh Performa 630 e oito sintetizadores. Os softwares que mais usa são o editor de partituras Finale e o Performer, um sequenciador onde o músico grava ou escreve as notas. Com esse programa, os compositores têm uma noção exata do resultado que desejam, ao ouvirem o arranjo imediatamente. Assim, não dependem da disponibilidade de músicos que toquem para eles.
Para não ter que comprar equipamentos cada vez mais robustos (seu HD tem só 350Mb!), Edgar Duvivier prefere não gravar áudio no computador. Trabalha apenas com gravadores, sintetizadores e arquivos Midi, que imitam o som dos instrumentos.
Para quem está chegando agora: no início dos anos 80, os grandes fabricantes de instrumentos musicais definiram um formato para que instrumentos eletrônicos produzidos por fabricantes diferentes pudessem se comunicar entre si e com computadores através de parâmetros em comum. Este protocolo de comunicação ganhou o nome de Midi (Musical Instrument Digital Interface, ou Interface Digital para Instrumentos Musicais) e passou a ser a linguagem universal destes instrumentos. O formato Midi também permite integrar todos os equipamentos de um estúdio. O uso mais comum de Midi é para composição, por meio de softwares sequenciadores, como o Performer, para Mac, o Cakewalk, para PC, e o Cubase, para as duas plataformas.
‘‘O protocolo Midi é responsável por uma verdadeira revolução nas formas de compor, tocar e executar música’’, afirma Miguel Ratton, engenheiro eletrônico, músico e autor de livros e CD-ROM sobre tecnologia musical .

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