Da areia quente do deserto, via satélite
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quinta-feira, 25 de dezembro de 1997
Agência Globo Rio de janeiro 
Frederico Rosário/Agência GloboEm cima do jipe, da esquerda para a direita, estão Alexandre Viana, Carlos Perez Muiãos, João Calos Nogueira e Marcelo Moreira; em primeiro plano, Luiz Gatto e Leonardo Edde: 50 dias de aventura hi-tech no deserto do AtacamaCom partida marcada para os primeiros dias do ano novo, um grupo de seis valentes expedicionários deixará o Rio de Janeiro para conhecer o lugar mais inóspito do planeta. A viagem de 18 mil quilômetros vai durar quase dois meses e consumir muita água, combustível e bateria de notebook.
Acompanhados por um grupo de jornalistas não menos aventureiros, aboletados em cinco jipes Land Rover Defender, os seis levam na bagagem equipamento de navegação, um micro portátil para transmitir informações através de um aparelho de telefone mundial e, claro, muita, muita coragem.
O solo do lugar mais inóspito da Terra é semelhante ao de Marte. O comboio deverá passar por seis países para chegar ao seu exótico objetivo: o deserto de Atacama, no Chile, um lugar tão árido que foi escolhido pela Nasa como ambiente de testes para o jipe Pathfinder, aquele que levou o robozinho Sojourner para passear em Marte. O solo do deserto é o que mais se parece com o do planeta vermelho. Além da aridez, os rapazes terão que enfrentar oscilações de temperatura: em Atacama, à noite, os termômetros ficam perto de zero... mas, de dia, a temperatura pode chegar a 50 graus!
Como proteção contra a poeira, os jipes têm telas de segurança e são vedados com silicone e progrip (a borracha usada pelos surfistas). O micro portátil, com modem para transmitir textos e imagens que alimentarão a home page da expedição, em www.nce.ufrj.br/~pe rez, estará bem protegido numa maleta estanque, semelhante à das câmeras fotográficas dos mergulhadores.
É também no micrinho (um Pentium 233MHz, com 32Mb RAM e 2.6Gb de HD) que os expedicionários escreverão seu diário de bordo. O fotógrafo Marcelo Moreira está lá, equipamento em punho, para registrar tudo. A equipe leva um scanner Nikkon LS 20 e as fotos serão trabalhadas no Photoshop. A maior parte das imagens será enviada para a imprensa e somente as mais interessantes subirão para o site. A idéia, segundo Carlos Perez Muiãos, físico e responsável na equipe pela transmissão de informações, é não deixar a página pesada.
MuiÀos também garante que os aventureiros não vão se perder no deserto. É ele quem está treinando a equipe para operar o sistema de navegação, recém-comprado pelos viajantes. Outras informações sobre o GPS (Global Position System) emo texto nesta página.
De acordo com João Carlos Nogueira, idealizador da empreitada, o grupo, formado ainda por Alexandre Viana, Leonardo Edde e Luiz Gatto, está pronto para tudo. Nunca viajaram juntos, mas são experientes em aventuras. Uma vez, uns tiveram que jogar o jipe contra um barranco para não cair num precipício nos Andes; de outra feita, precisaram correr de índios, quando foram recebidos a bala, numa aldeia do Oiapoque. Que venha o deserto de Atacama, então.


