Recentemente, foram relatados em mais de um país casos de invasão de babás eletrônicas por hackers, um deles inclusive em São Paulo. A mãe contou que a câmera se mexia sozinha e, depois, tocou uma música infantil, sem o controle de ninguém da casa. O fato causou preocupação de pais que usam babás eletrônicas em casa, como a bancária Taiane Ridão, que tem uma filha de apenas um ano. "Fiquei com medo. A minha tem câmera de vídeo, e se um hacker tem acesso, ele visualiza minha nenê dormindo." Taiane só ficou mais calma quando procurou mais informações sobre o produto e lembrou que sua câmera não tem acesso à internet. "Quando eu soube fui me informar. Mas não compraria mais uma câmera com sinal Wi-Fi."
Muitas pessoas têm optado por babás eletrônicas e câmeras de vigilância com acesso remoto através da internet. O recurso oferece comodidade e segurança aos seus usuários, que podem acessar as imagens de qualquer lugar. Acontece que a rede mundial de computadores pode ser uma porta de entrada para invasões, mesmo em equipamentos como esses, que são pouco associados a ataques de hacker.
"Fundamentalmente, esses dispositivos são dispositivos de computação como quaisquer outros, e todo dispositivo conectado à internet é teoricamente vulnerável a ataques", pontua Ondrej Vlcek, COO da Avast, empresa de software de segurança.
O especialista em crimes digitais Wanderson Castilho lembra que hoje até mesmo escolas usam câmeras de segurança a fim de dar tranquilidade aos pais. De acordo com ele, existem casos de equipamentos que já chegam à casa do consumidor "sorteados", adulterados de forma que as informações dos usuários sejam transmitidos para pessoas com más intenções. "Por isso a necessidade de verificar a procedência do equipamento."
Por outro lado, mesmo equipamentos com procedência atestada são passíveis de serem invadidos, caso o usuário não siga as recomendações da fabricante. Por mais que muitos dos equipamentos já venham com opção de atualização automática, é importante se certificar de que as atualizações de segurança sejam realizadas. "Toda webcam vem com um software para gerenciar o sistema (de vigilância). Se o usuário não o atualiza, ele pode vir com uma vulnerabilidade que pode ser explorada pelo hacker", alerta Castilho.
Outra maneira de o criminoso virtual conseguir acesso a uma câmera de monitoramento privado é através do login e senha do usuário. "Tenho no meu celular um aplicativo da câmera de casa por meio do qual consigo ter acesso às imagens em até 180 graus, ouvir som e falar. Mas se houver uma invasão e o criminoso pegar meu login e senha, ele vai ter acesso à câmera", comenta o especialista em crimes digitais.

CUIDADOS
Ondrej Vlcek observa ainda que alguns desses dispositivos de segurança vêm pré-configurados com uma senha padrão, geralmente senhas fracas e triviais. "É de responsabilidade do usuário mudar sua senha. Se não mudam a senha, absolutamente todo mundo além do usuário pode fazer login no equipamento e acessá-lo." Segundo o COO, a maioria dos ataques a esses dispositivos se dá por causa de senhas padrão que não foram modificadas. "É absolutamente necessário ter certeza de que a senha foi alterada para uma senha forte que não pode ser descoberta facilmente."
Na opinião de Vlcek, esse tipo de ataque é para o hacker uma "prova de conceito" a fim de apontar falhas e vulnerabilidades para as fabricantes, uma ação com o intuito de "educá-las" para possíveis brechas de segurança.

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