No Brasil, as imagens mais dramáticas da chuva ácida foram amplamente alardeadas no final dos anos 80. A mata destruída pela chuva ácida, nas encostas da Serra do Mar que cercam Cubatão, na Baixada Santista, fez com a terra desabasse sobre a cidade. Durante mais de cinco anos, uma verdadeira operação de guerra foi montada para recuperar a vegetação da serra e reduzir os índices de poluição.
Menos dramática à primeira vista, mas muito mais profunda, foi a destruição causada pela chuva ácida no interior de Santa Catarina. O vapor de enxofre lançado na atmosfera pela termoelétrica de Imbituba, a maior da América Latina, chegou a comprometer, em 77, praticamente toda a rede hidrográfica do Estado. O pH das águas dos rios baixara para os perigosos índices entre 2,0 e 3,0. Em 82, a região sul de Santa Catarina foi declarada ‘‘área crítica’’ para efeito de controle da poluição. ‘‘É isso que assusta a nossa região diante da proposta de construção da termoelétrica de Paulínia’’, comenta Dias Camargo. Segundo ele, nenhuma das sugestões de redução de poluição apresentadas pelos defensores da termoelétrica são consistentes. ‘‘Algumas beiram o ridículo, como aquela de construir chaminés muito altas. As chaminés altas da Inglaterra transportaram a poluição para o norte da Europa’’ - comenta.
O estado de São Paulo ainda não tem um mapeamento completo dos efeitos da poluição e de chuva ácida em todos os seus rios. Mas nas redondezas de Piracicaba, por exemplo, a chuva ácida já alterou perigosamente o pH das terras. ‘‘A média do pH do solo no município gira em torno de 4,5. Há anos atrás a média era 5,6’’, afirma Luciene Lorandi Silveira.

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