Cruz Vermelha faz alerta sobre o bug
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de abril de 1999
Edinelson Alves, Especial para a Folha 
À medida que se aproxima a chegada do ano 2000, cresce o temor coletivo nos Estados Unidos sobre o caos que o bug do milênio poderá provocar. Numa sociedade que depende em tudo da informática, a ameaça de paralisação dos computadores tem gerado as mais catastróficas previsões. Conforme os cenários mais pessimistas, as cidades vão simplesmente parar. Sem transporte urbano, sem sistema bancário, sem comunicação, sem hospitais, sem abastecimento de água e energia entre outras paralisações de serviços de primeira necessidade. Tudo isso poderá ocorrer porque nas décadas de 50 e 60 a data do ano foi armazenada apenas em dois dígitos. Assim, o ano de 1960 era representado apenas por 60. Mas na virada do milênio, o computador não vai entender 00 como sendo 2000. A partir dessa leitura errada da data, tudo que depende do computador, sistemas ou equipamentos deverão falhar.
Num recente levantamento, milhares de americanos de 250 cidades já se preparam para o pior. Os mais temerosos planejam armazenar comida enlatada, água e outros gêneros de primeira necessidade. Em Miami, já foi noticiado que algumas pessoas estão comprando ouro, uma espécie de reserva financeira. Diante da neurose coletiva, a Cruz Vermelha, especialista em socorrer todo tipo de catástrofe, preparou um manual de sobrevivência. As orientações básicas são as seguintes: armazenar gêneros de primeira necessidade por uma semana; ter dinheiro na mão para evitar a surpresa de paralisação dos bancos; manter em casa lanternas com pilhas extras; separar roupas de frio e cobertas para evitar hipotermia nas regiões frias; e, ainda, correr em busca de proteção, assim que possível, para albergues e áreas destinadas pelo governo. Mesmo com o objetivo de orientar a população, o boletim da Cruz Vermelha só fez aumentar o temor, já que oficializa a necessidade de prevenção contra uma possível catástrofe.
A liga profissional de basquete dos Estados Unidos, NBA, suspendeu os jogos do final de dezembro e início de janeiro, temendo realizar viagens aéreas. As companhias aéreas internacionais fizeram uma pesquisa e detectaram que pelo menos cem grandes aeroportos ainda não adequaram seus equipamentos para evitar a confusão das datas. Nessa lista negra não escapam nem aeroportos da Inglaterra, Espanha, Itália, França e Grécia. Alguns pilotos já avisaram suas companhias que não farão qualquer viagem na noite de 31 de dezembro de 1999 para destinos que não tenha comprovada eficiência. A Organização de Aviação Civil Internacional pressiona os governos para que cada país ajude a promover a segurança de seus aeroportos.
Até os brasileiros residentes nos Estados Unidos estão sendo contagiados pela paranóia. Catarina Oliveira é casada com um especialista em informática formado pela Universidade de Brasília. Ela disse que já começou os preparativos para a virada do milênio.Vamos armazenar alimentos, água e pensamos em comprar uma bicicleta para cada um. Tenho dois filhos e vou tomar todas medidas preventivas, disse Catarina. O paulista Gilberto Pinto Sobrinho simplesmente voltou para o Brasil. Dizendo-se mais bem informado, ele justificou: Por causa das invasões de outros países, os Estados Unidos são muito odiados por grupos radicais. Com o bug do milênio todo sistema de defesa antiaéreo estará desativado e os Estados Unidos estarão vulnerável a qualquer ataque militar, argumentou Gilberto.


