Claudio DuarteNo ano 105 d.C., um chinês chamado Cai Lun inventou um novo material chamado papel, feito a partir de fibras de cortiça, trapos e, quem diria, uma planta conhecida como Cannabis (a humanidade, como um todo, levaria quase dois milênios para descobrir usos mais divertidos para o exótico arbusto...). Os chineses conseguiram manter a fórmula exata para a fabricação do papel em absoluto sigilo durante uns 500 anos, até que, pelos idos de 610, a informação chegou, sucessivamente, à Coréia e ao Japão.
O novo lance desta lenta novela aconteceu quase 150 anos depois, com toques de grande dramaticidade: no ano de 751, os chineses atacaram Samarkand, mas foram derrotados pelos árabes, que fizeram inúmeros prisioneiros, entre os quais dois fabricantes de papel. De forma que o bom e velho papiro, que há tantos séculos tão bem servia aos egípcios, foi substituído pela nova tecnologia, que logo se espalhou por todo o mundo árabe e, uns 500 anos depois, chegou à Espanha com a ocupação mourisca.
Aí tudo começou a acontecer bem rápido. Cem anos depois, em 1276, o papel chegou à Itália e, logo em seguida, em 1390, à Alemanha. Daí a Johannes Gutenberg inventar a imprensa (em 1456) foi um pulo.
Os primeiros exemplares a sair das oficinas de Gutenberg e de Aldus Manutius não foram exatamente best sellers pelos padrões de hoje: faltavam canais de distribuição e de marketing e o nível de escolaridade geral era baixíssimo. Mas os contadores de histórias não perderam o emprego de uma hora para outra, pois o desenvolvimento da cultura do livro levou um tempo. Ainda assim, em 1501 já havia cerca de mil editoras na Europa, responsáveis pela publicação de 35 mil títulos e 20 milhões de exemplares.

mockup