Crise dos oceanos é debatida em Lisboa
France Presse
A Conferência Internacional sobre a Crise dos Oceanos, organizada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), aconteceu na segunda-feira, em Lisboa, com a participação de especialistas do mundo inteiro.
A conferência, que abordou essencialmente os problemas causados pela pesca, faz parte da campanha da WWF denominada Por um mar vivo, vamos mudar de rumo e foi realizada no Ano dos Oceanos, celebrado na capital portuguesa por ocasião da Exposição Universal 1998.
Segundo o WWF, os primeiros responsáveis pela superexploração dos mares são as frotas pesqueiras de alto mar pertencentes a vários países e cuja expansão foi incentivada por subvenções governamentais, regularmente denunciadas pelas Nações Unidas.
Geralmente superdimensionadas, essas frotas saqueiam os oceanos, inclusive em águas territoriais de países em vias de desenvolvimento, ameaçando diretamente a viabilidade das indústrias pesqueiras locais, disseram em Lisboa os responsáveis pela Campanha para os Mares em Perigo, do WWF.
Entre 10 e 50 bilhões de dólares de subvenções são empregados pelos países mais ativos no setor da pesca de alto mar, como China, Estados Unidos, Rússia, Noruega, Coréia, Japão e União Européia, segundo estimativas citadas na abertura da conferência.
O objetivo do simpósio foi fazer com que os países envolvidos reduzam a dimensão de suas frotas, controlem rigorosamente as atividades dos navios e manifestem maior rigor na distribuição de subvenções.
Em junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente organizado pela Organização das Nações Unidas foi consagrado à proteção dos oceanos sob o lema Para viver na Terra, vamos salvar os mares.
O secretário geral da ONU, Kofi Annan, fez nessa ocasião um pedido para que cada um dos países proteja os oceanos, um dos recursos essenciais da humanidade.
Por fim, ao final de três anos de trabalho, a Comissão Mundial Independente sobre Oceanos, presidida por Mario Soares, submeterá na próxima Assembléia Geral da ONU um informe pouco animador sobre o estado em que se encontram os oceanos. A comissão também fará uma série de recomendações para sua proteção, entre as quais a criação de um observatório mundial do oceano.





