O Paraná passou nos últimos anos por uma transformação em sua base industrial, que foi marcada pela entrada do setor automotivo na Região Metropolitana de Curitiba. Três novas montadoras – Renault, Volkswagen/Audi e Chrysler – se instalaram em São José dos Pinhais e Campo Largo. Quase dois anos e meio, após o início da produção, elas dão sinais de que estão suscetíveis às crises econômicas e demonstram que nem tudo será flores.
Um dos projetos praticamente fracassou. A Chrysler, depois de dois anos de produção das picapes Dakota e de um investimento de R$ 350 milhões, com incentivos governamentais, anunciou o fim da linha de montagem, em janeiro deste ano. Até agora, não há definição oficial do destino que se dará para a fábrica que está fechada em Campo Largo.
Os cerca de 250 funcionários estão em licença remunerada até o final de junho, mas sem qualquer garantia de que retornarão. Se a montadora abandonar o Estado, terá de devolver os R$ 100 milhões relativos aos incentivos fiscais, avisa a Secretaria de Planejamento do governo.
O caso da Chrysler colocou em xeque o pólo automotivo paranaense. Os oposicionistas ao governador Jaime Lerner (PFL) anunciam que o barco das montadoras está fazendo água cedo demais. Eles usam como exemplo também as demissões. A Audi demitiu 250 trabalhadores no início do ano, garantindo que era apenas ajuste interno. A Volvo, que está há 20 anos em Curitiba, anunciou corte de 150 na semana passada. Também por questões de remodelagem na estrutura da empresa.
O governo assegura que criou no Estado um projeto sólido que tem como saldo positivo a geração de quase 10 mil empregos diretos, se consideradas as montadoras e as 48 fornecedoras diretas. ‘‘Noventa e três por cento dos funcionários das montadoras são paranaenses’’, diz o secretário de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra.
O Sindicato dos Engenheiros contesta e assegura que as montadoras estão lotadas de diretores, gerentes e técnicos de outros países e mesmo de São Paulo. A Volkswagen aproveitou muitos engenheiros de sua unidade no ABC paulista para trabalhar na Audi, em São José dos Pinhais. Os estrangeiros começaram a retornar para seus países de origem. Os números exatos da quantidade e da procedência dos funcionários são mantidos em segredo.
Renault e Audi investiram pesado em suas fábricas. Mas para isso contaram com uma dezena de incentivos e facilidades do governo do Estado, que incluíram doação e terreno, postergação do pagamento de impostos estaduais e municipais, criação de subestações de energia, pavimentação de acessos, prioridade para movimentação em Paranaguá e no aeroporto.
No caso da Renault, o Estado assumiu, inclusive, a responsabilidade jurídica por danos e acidentes ambientais futuros que a montadora possa provocar, conforme protocolo de intenções. A Renault ganhou ainda dinheiro do Estado. O governo entrou como acionista com 40% do controle da montadora.
Em 1998, quando a empresa foi inaugurada, o governador anunciou o congelamento de sua participação. A Renault não tinha mais interesse em ter o Estado como sócio. A diretoria da empresa anuncia que está consolidando investimentos de US$ 1,3 bilhão no Paraná. A Audi investiu cerca de R$ 1 bilhão.

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