Criptografia é chave para afastar espiões
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Agência Estado 
Existem poucas diferenças entre enviar um e-mail sigiloso pela Internet e pedir a um garoto que entregue um pacote de jóias no outro lado da cidade. Assim como o entregador que pega ônibus e metrô para chegar ao seu destino final, a mensagem também trafega por milhares de linhas, cabos e servidores até cair no micro do destinatário, de forma mais rápida do que o mensageiro, é claro. Mas durante este trajeto, o entregador pode ser assaltado e o e-mail, interceptado. Imagine, por exemplo, se o número de seu cartão de crédito é descoberto.
Com a disseminação do comércio eletrônico, empresas de informática de todo o mundo descobriram na criptografia a solução para o problema de muitos usuários. Esta ferramenta tem o poder de embaralhar todos os caracteres de um arquivo, trocando as letras por códigos matemáticos e tornando a leitura praticamente à prova de invasores. Para abrir a mensagem, a ponta receptora precisa de uma chave (senha).
Para um país como o Brasil que, segundo a Módulo (empresa especializada em dados eletrônicos), tem 29% de suas empresas conectadas na Internet e cerca de 81% delas desprotegidas dos famosos crimes eletrônicos, a criptografia pode evitar problemas como espionagem industrial e rombos em contas bancárias.
Para o consumidor que faz compras pela Rede ou deseja manter arquivos do desktop em segredo, uma boa pedida é o PCCrypto, da norte-americana McAfee. Baseado em Windows e com chave de 42 bits, o produto se mostrou fácil e rápido de usar. Ele criptografa qualquer tipo de arquivo, suporta senhas longas com até 50 caracteres e ainda traz um utilitário de segurança e limpeza que não deixa vestígios de documentos originais.
Segundo a revista norte-americana Byte, um hacker com todo o aparato tecnológico consegue quebrar uma chave de 40 bits em cerca de 0,4 segundo. Portanto, até o fim do mês, a empresa promete colocar no mercado a versão 2.0, com chave de 56 bits.
O melhor do PCCrypto é que a ponta receptora não precisa ter o programa para decifrar a mensagem, mas apenas dispor da senha, que pode ser enviada em outra mensagem ou passada pelo telefone, explica o diretor de Marketing da McAfee do Brasil, Sérgio Pires. Preço: R$ 59,00. O comprador recebe todas as atualizações do software gratuitamente.
O mercado corporativo tem como opção o RSA Secur PC 2.0, software recém-lançado pela norte-americana Security Dinamics e comercializado no Brasil pela Compugraf. Sua função é a de proteger as mensagens transmitidas via e-mail. Pelo tamanho da chave (de 128 bits) parece que o produto desenvolve bem sua função. Segundo o diretor dos serviços de Internet e intranet da empresa, Leonardo Scudere, este tipo de programa é mais do que necessário para as corporações que utilizam serviço de e-mail.
O RSA Secur PC 2.0 é instalado nas estações-cliente da rede local. Ele criptografa automaticamente os arquivos que estão sendo criados e, quando abertos, são decodificados no mesmo momento. No caso de a mensagem codificada ser enviada para alguém fora da empresa, é possível combinar senhas para que o usuário possa abri-la, explica Scudere. Essa senha funciona como uma chave, que pode ser mudada a qualquer momento.
Novas chaves Para evitar problemas de vulnerabilidade dos e-mails na Rede, a solução está no aumento das chaves usadas. Mas é neste ponto que o problema aparece. Como os Estados Unidos são os responsáveis pelos principais programas de criptografia, o governo norte-americano acha que tem direito sobre eles e acabou por proibir a exportação de chaves acima de 56 bits. É lei e os infratores cometem crime federal.
Como o Brasil não tem nenhuma legislação que proíba o uso da criptografia ou de chaves superiores a 56 bits, nada impede que esses programas sejam baixados pela Internet, conforme Luís Felipe Bezerra, da McAfee do Brasil.
Um destes programas é o Pretty Good Privacy (PGP), à disposição gratuitamente na Internet (www.pgp.com). Ele tem chaves de até 2.048 bits, roda em diversas plataformas e não agradou nem um pouco a Bill Clinton, que já entrou com um processo contra Phil Zimmermann, dono da empresa que leva o mesmo nome do programa e ousou distribuir para o mundo um software que deveria ser de exclusividade norte-americana.
Serviço: Compugraf - (011) 281-7400; McAfee do Brasil - (011) 5561-7377


