Criatividade na era da informação
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Danielle Brito Especial para a Folha 
Nem planejamento, nem crenças pré-concebidas. A alavanca da empresa do futuro será a criatividade. Isto, na visão determinada do norte-americano John Kao. O executivo da The Idea Factory, produtor do filme Sexo, Mentiras e Videotape e professor de criatividade nos programas MBA e Gerenciamento Avançado da Harvard Bisiness Scholl foi um dos destaques do Tecnologia da Informação 97. O evento foi promovido pelo Grupo Algar, nos dias 21 e 22 de agosto - em São Paulo -, e teve como tema geral Criatividade e Novas Mídias.
Kao iniciou a conferência com duas perguntas. A primeira: quantos acreditam que a criatividade tem um papel fundamental na empresa. A segunda: quantos trabalham em empresas que tem um sistema que aposta na criatividade. Cerca de 86% do auditório respondeu afirmativamente à primeira questão contra nenhuma resposta afirmativa para a segunda. De acordo com Kao há uma grande distância entre o desejo e a prática da criatividade no mundo inteiro. Criatividade é um processo de vários elementos. Novos produtos, novas maneiras de ver e fazer as coisas. Não há nenhuma parte da empresa em que a capacidade criativa não toque.
O desafio, salientou, é aumentar a sobrevida das companhias que atualmente é de 40 anos. Como concorrer, como reinventar? A criatividade é a base de tudo isso. O lucro seria um prêmio à criatividade. Colocado dessa forma a sentença esconde a complexidade do que é imprimir criatividade no comando das empresas. Kao explica que criatividade tem a ver com equilíbrio entre profissionalismo e liberdade. Os três pontos dos quais a empresa tem que se libertar são a mente, o lugar e as crenças.
A companhia deve se liberar dos pré-conceitos, abrir para novas idéias. Uma das formas de fazer isso é estabelecer um representante para ir a campo em busca de algo que sugira renovação. A outra é o telefone aberto ao consumidor que possibilita um retorno crescente, mais do que as próprias pesquisas de mercado. O executivo chefe de conhecimento já está ultrapassado. É o executivo de consciência quem vai construir novas percepções de criatividade, sugere. A maioria das empresas são locais muito agitados. Nesse aspecto, o professor reforça que o ambiente também deve dar suporte à improvisação necessária.
Na Coca-Cola a criatividade é vista como uma capacidade. A criatividade é praticada todos os dias na multinacional, como uma estrela polar que direciona as ações. Kao conta a história do alto executivo da empresa que foi à campo em Nova Yorque, de jeans e camiseta, acompanhado de um câmera amador. Numa academia de artes marciais ele constata a grande frequência de pessoas jovens e nenhuma presença da marca. Pergunta ao professor se gostaria que o local tivesse uma máquina de Coca-Cola. Em poucos minutos a instalação estava feita. O vídeo foi exibido em vários setores da empresa e ocasionou uma série de outras produções com a mesma intenção: difundir a marca e levar a Coca-Cola aos lugares mais inusitados.
Na forma atual, explicou Kao, os sistemas gerenciais formam mecanismos para seguir uma partitura. Seguir a partitura não é seguir coisas novas. De acordo com ele, a meta não é jogar fora a engenharia e a organização. Porém, o planejamento é inútil no modelo clássico. Deve-se encontrar as descontinuidades que levam à inovação e improvisar em cima da partitura. O talento tem a ver com fazer o trabalho com criatividade. Falamos em construir o Admirável Mundo Novo. Hoje na economia da informação, a competição vem de todo lugar.
O professor terminou falando sobre as Fábricas de Idéias, modalidade que cresce no cenário da tecnologia principalmente nos EUA. Destinadas à companhias que querem explorar o futuro, estas fábricas oferecem tecnologia de ponta, métodos inovadores de treinamento, softwares, diversas mídias para refletir o conhecimento e redes criativas onde coisas interessantes - no espectro físico ou virtual - podem acontecer. A estratégia é criar tangibilidade para as idéias. É uma motivação para o talento com processos de apoio e pessoal criativo. Nas Fábricas de Idéias, o vídeo e a Internet são apenas algumas das ferramentas para criar novos acessórios, serviços e produtos.


