Crianças preferem tela à página de livro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 1997
Edinelson Alves De Miami 
Ainda não chega a ser uma ameaça ao livro e outras publicações impressas, mas a Biblioteca do Congresso americano já registra 20 milhões de hits por mês. A maior parte das consultas é feita por alunos do curso secundário de todo os Estados Unidos. Basicamente eles buscam informações sobre itens relacionados a memória americana. Esse acesso tem sido facilitado porque as escolas americanas estão se conectando a Internet e incentivando seus estudantes a surfar em busca de novidades.
Para James H. Billington, bibliotecário do Congresso, as 20 milhões de consultas mês são apenas um começo.As crianças de hoje não estão tão entusiasmadas com livros, como as gerações anteriores. Elas pertencem a geração de televisão e do computador. Estão mais acostumadas com a tela do que com as páginas. As fotos e as histórias sobre guerra parecem atrair mais e segurar a atenção delas num computador.
A febre por informática e Internet entre as crianças americanas está começando cada vez mais cedo. Gregory Smith tem nove anos. Ele é estudante do terceiro ano de uma escola pública em Hollywood, no sul da Flórida. Ele diz que as vezes deixa de lado a recreação do intervalo para ficar no computador da biblioteca. Em casa, Gregory disputa o computador com seus pais e já prefere escrever suas historinhas na tela. Ele é um típico representante dessa nova geração que tem sede por máquinas modernas e descobertas eletrônicas. Como em todos os rincões dos Estados Unidos as escolas estão adotando a informática e incentivando as crianças usá-la. Essa lição vai revolucionar as bibliotecas nos próximos anos.
Segunda revolução Há cem anos o pavilhão Jefferson da Biblioteca do Congresso, um dos maiores acervos do mundo, era aberto para o público em geral. Antes só podiam consultar seus documentos os membros do Congresso, funcionários, acadêmicos e especialistas. Ou seja, o conhecimento era privilégio de uma minoria. Essa primeira abertura em 1897 foi considerado um fato histórico.
Mas é através da informática que essa tradicional biblioteca está vivendo a sua segunda revolução. Mais de 300 mil itens que fazem parte do acervo. Entre eles, documentos históricos que foram agrupados em 17 grandes coleções com o nome de Memória Americana, incluindo fotografias documentando a vida durante a Depressão; itens de teatro ilustrando a carreira de diversos artistas; panfletos afro-americanos; filmes do terremoto de São Francisco e outos temas estão disponíveis na Internet (http://www.loc.gov).
O sucesso da biblioteca eletrônica tem sido tão grande que a meta é colocar, até o ano 2000, cinco milhões de itens no sistema on-line. Outras bibliotecas americanas também estão passando pelo mesmo processo de traduzir imagens em filme e papel para forma digital, compreensível para os computadores. Futuramente elas integrarão o projeto que já está sendo chamado de Biblioteca Digital Nacional.
Mas, todo o avanço da informatização na Biblioteca do Congresso se deve, em grande parte, ao incentivo da iniciativa privada. A fundação foi iniciada pelo magnata da informática na Califórnia, David Packard e pelo bilionário das telecomunicações, John W. Klunge, tendo cada um doado US$ 5 milhões. Com as fontes privadas a biblioteca já levantou US$ 23 milhões e recebeu mais US$ 15 milhões de verbas do Congresso, totalizando mais da metade dos US$ 60 milhões para levar em frente o projeto de informatização.


