Cresce tendência de vacinas combinadas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Ana Maria Mejia 
Os países deverão adotar vacinas combinadas dentro de seus programas anuais de vacinação. Essa tendência analisada por especialistas em imunologia e infectologia reunidos no seminário Vaccinology96, realizado semana passada em Foz do Iguaçu, começou há vários anos com a introdução da DTP (contra difteria, tétano e coqueluche), aplicada em três doses, com uma de reforço em crianças de dois meses até cinco anos.
Atualmente há associações de DTP com HBV (contra hepatite tipo B), HBV com HBA (contra hepatite A e B), DPT com Hib (contra meningite provocada pela bactéria Haemophylus influenzae) e até de DPT com Hib e PVI (antipoliomielite com vírus inativado), todas testadas e já disponíveis no mercado.
O professor de pediatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade de São Paulo, Calil Fahrat, em palestra sobre Vacinas Combinadas, disse que com o avanço das pesquisas surgirão novas combinações. E, alertou que os governos devem analisar seriamente o custo/ benefício das vacinas antes de decidir, incluí-la no programa anual.
A redução do número de injeções, de visitas ao posto médico, de gastos com armazenagem, transporte e treinamento de recursos humanos e a menor risco de trocar as vacinas compõem a lista de vantagens. Uma desvantagem é seu preço, considerado alto para os padrões dos países do Terceiro Mundo.
Custos adicionais No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que o custo diminui em até 70% nestas combinações, por não agregar custos. Os governos chileno e uruguaio aprovaram a eficiência da Hib, sem custos adicionais, para seus programas de imunização. Este ano, o Uruguai a incorporou ao seu programa anual de vacinação.
O cientista considerado pai da vacina Hib ( ou Act-Hib), o norte-americano John Robbins, recordou que antes de 1940, a meningite provocada por Haemophilus influenzae não era mencionada. Depois de várias pesquisas constatou-se que nos Estados Unidos a doença atingia anualmente entre 13 mil crianças.
Descoberta e lançada no mercado a vacina surpreendeu por seu efeito conhecido como carrier. Com 80% das crianças vacinadas na Zâmbia, por exemplo, não houve registros da doença.
No Brasil, a vacina está disponível, mas não há números oficiais que indiquem a necessidade de sua adoção. De acordo com o presidente da Comissão Permanente de Imunização de São Paulo, Gabriel Oselka, desde 1988 existe uma situação epidêmica de meningite meningocócica, o que inviabilizou estimar o coeficiente de ocorrência da haemophila. Dados de 94 indicam que o índice era de 50/100 mil.


