Eles são facilmente identificáveis: falam por código, reclamam constantemente do Windows da Microsoft e do MacOS da Apple, e adoram dissertar sobre a maravilha que é ter controle absoluto sobre o destino de seu micro - que, segundo eles, jamais trava. Graças à Internet, multiplicam-se exponencialmente.
Como esse quadro existe tanto entre adolescentes quanto entre adultos na faixa dos 30 anos, pode-se dizer que os seus seguidores já formam uma geração - a ‘‘Geração Linux’’ - que adotou o sistema operacional de Linus Torvalds e se encantou com os princípios libertários de um pinguim barrigudo.
A notícia de que grandes empresas como Netscape, Oracle e Informix vão apoiar o Linux, o aperfeiçoamento dos seus recursos e da sua interface gráfica são considerados os principais motivos para o aumento do número de usuários - um total de sete milhões em todo o mundo. Mas há que se levar em conta ainda a influência dos provedores de acesso, dos hackers (que o utilizam intensamente) e dos laboratórios das universidades, que, a cada ano, geram uma nova fornada de apaixonados.
Apaixonados sim. Geralmente insones e não raro confundidos com nerds quando adolescentes. Tudo porque, quando descobrem o sistema de origem finlandesa, ficam vidrados e tendem a passar horas incontáveis na frente do computador.
‘‘O Linux faz parte do underground da indústria de informática. Quem se interessa por ele, segue a mesma linhagem dos usuários do Apple II e do Amiga. São pessoas que querem ter poder sobre o sistema e não o inverso’’, explica o sócio do provedor de acesso Antares, Marcelo Dantas, de 30 anos.
Marcelo (que, inicialmente, era contra o uso corporativo do programa) ganhou, em 1995, uma cópia de um amigo. Trancou-se em casa durante um fim de semana e, na segunda-feira, decidiu que controlaria todo o seu negócio usando o produto. Assim nasceu o Antares, com um 486, 18 linhas telefônicas... e um Linux suportando a empreitada. Hoje, são seis servidores Pentium 233MHz e 212 linhas telefônicas atendendo 1.800 usuários. Mas o sistema continua lá.
É fácil compreender tanta fidelidade. Segundo o website Ano 2001, trata-se de um sistema operacional gratuito, popular e eficiente. Ele está disponível para qualquer um (embora seja mais recomendável adquirir o CD - a versão completa tem cerca de 570Mb); roda tanto Intel quanto Risc e é rápido mesmo em aplicações com muitos processos simultâneos.
Uma das vantagens do Linux é que ele não é exclusivista, ou seja, convive pacificamente com outros sistemas operacionais na mesma máquina. Além disso, está em constante desenvolvimento pelos milhares de programadores e usuários que aperfeiçoam suas rotinas em todo mundo. Por fim, tem a maior base de aplicativos gratuitos já registrada por um sistema operacional. Os usuários avançados que costumam vasculhar o coração da máquina mas são engessados pelas limitações do Windows vêem no Linux um símbolo de libertação. Para eles, ouro, incenso e mirra.

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