Cresce número de sites voltados a deficientes
Agência O Globo
Do Rio
O artista plástico Artemio Fonseca de Carvalho Filho tinha 20 anos em 1982, quando sofreu um acidente ao mergulhar na Praia de Copacabana. Ficou tetraplégico. De lá para cá, aprendeu que, dentre as limitações provocadas pela deficiência física, a falta de informação é das mais graves. Para ajudar outros deficientes a quebrar o isolamento, Artemio, hoje com 36 anos, criou um website, em www.rionet.com.br/=freedom. Antes de se acidentar, estudava informática e, hoje, com o pouco tempo livre, vem mantendo sozinho a página, que tem como objetivo informar e integrar portadores de diferentes tipos de deficiência.
Devido à limitação física, Artemio não pode passar muito tempo sentado em frente ao computador. E por isso precisa de ajuda para continuar mantendo o site, que vem tendo mais visitantes a cada dia. Está ficando praticamente impossível atualizar as páginas e responder todos os e-mails sozinho, diz ele, que tem outro website, www.mtecnet.com.br/pessoal/artemio.
O site tem um fórum de discussão onde os deficientes podem conseguir soluções para seus problemas. Artemio consegue movimentar os braços, mas não pode usar as mãos. Quando fez reabilitação nos EUA, aprendeu a usar um suporte que permite a digitação. Aqui, não é possível comprar este acessório, mas ele pode ensinar, por meio da página, como fazer um parecido. O site tem ainda um serviço de classificados e o usuário também pode bater papo em tempo real e se cadastrar num serviço gratuito de e-mail. Além de pesquisar bancos de dados sobre diferentes tipos de deficiência.
Outro que superou dificuldades para pôr um site na Intenet foi Ronaldo Correia Junior, de Recife, que sofreu um acidente ao nascer e, por falta de oxigênio durante o parto, teve paralisia cerebral. Ele precisa de ajuda para se vestir, falar, andar, comer e digita com os dedos dos pés.
É difícil me comunicar, expressar o que passa pela cabeça; para a maior parte das pessoas, isso é interpretado como sinal de retardo mental, conta. Superar a dificuldade de comunicação foi um longo processo: começou com o uso de uma máquina de escrever elétrica e chegou à Internet.
Não fiz treinamento especial, aprendi sozinho e consultando alguns amigos por telefone ou e-mail, explica Ronaldo, que passa por dificuldades financeiras e também precisa de um patrocinador para continuar trabalhando na página, que fica em www.elogica.com.br/pj/ron. Com o computador Ronaldo já fez cartões, impressos de vários tipos e folhas de pagamento. No ano passado, ele foi webdesigner da ONG Associação do Jovem Aprendiz.





