Agência O Globo,
do Rio
As propagandas na TV, em rádios e jornais comprovam um fenômeno curioso: a repentina explosão dos sites de leilões virtuais brasileiros na Internet. De poucos meses para cá, vários sites do gênero foram lançados, apostando que o marketing poderá mudar o receio do brasileiro de comprar à distância. Quase todos os sites de leilão virtual querem ser a versão nacional do americano eBay.
A maioria dos sites brasileiros de leilão funciona nos moldes do eBay. São classificados interativos que vendem produtos de A a Z: antiguidades, bicicletas, carros, zipdrives. O vendedor (ou seja, você!) descreve a mercadoria, acrescenta foto e estabelece um lance mínimo e um preço de reserva, abaixo do qual não vende o artigo. Quem se interessa dá lances e, quando acaba o prazo predeterminado, quem deu mais leva o produto.
Por enquanto, as empresas brasileiras estão só investindo. A maioria ainda não cobra pelo anúncio e nem comissão nas transações. No caso do eBay é diferente. Líder no mercado, o site americano cobra espaço de anúncio (entre U$ 0,25 e U$ 49,95) e uma comissão sobre as vendas (de 5% a 1,25%). Mas hoje é a sua visibilidade, isto é, o número de acessos que tem diariamente, que torna suas ações disputadas na Bolsa de Valores.
Como nos classificados das mídias tradicionais, a transação é feita diretamente entre as partes. Ao contrário do eBay, que oferece um seguro ao usuário, a maioria dos sites nacionais não se responsabiliza por eventuais trambiques ou anúncios enganosos. Mas existe um sistema de proteção: o feedback positivo ou negativo de um negociante sobre outro. Tal recurso, entretanto, é driblável. Não há como impedir que a pessoa se cadastre com outro nome e e-mail para livrar-se dos maus antecedentes.
Mas nem todos os sites de leilão brasileiros querem ser o eBbay. Alguns têm ambições menores, e são voltados para áreas específicas, como MPB antiga ou objetos colecionáveis. Nestes casos, o comprometimento da empresa com o produto e com a transação é muito maior.
Os artigos oferecidos nos leilões virtuais são tão variados que vale a pena navegar nos sites só para ver as curiosidades. No mês passado, um dos destaques do Mercado Livre era um capacete alemão supostamente usado na Segunda Guerra Mundial. Um detalhe dava um charme a mais ao artigo: um amassão indicaria que o soldado sob o capacete teria sido ferido.
Livros raros, objetos e documentos antigos são o forte do site AACohen, voltado para colecionadores. Pioneiro no Brasil, o site de Alberto Cohen funciona às avessas: o vendedor dá o preço e, se em dez dias ninguém comprar o produto, o preço vai caindo até um valor mínimo. É no AACohen que o museólogo Adilson Portugal Rachid encontra os livros sobre o Rio que tanto lhe encantam. Colecionador inveterado, Rachid também achou no site máscaras africanas da tribo Senufo e bolachas de cervejas estrangeiras.
‘‘Sempre acesso o site para ver as novidades’’, diz. Cohen cobra de 10% a 20% por cada venda, mas se encarrega de intermediar o processo e só repassa o valor ao vendedor se o comprador ficar satisfeito. O prazo de devolução é de dez dias. Outro site para colecionadores é o Sombras, que leiloa vinis raros de MPB encontrados em sebos.

ORIENTE-SE
O QUE PODE: Encontram-se em leilões virtuais os artigos mais variados: de perfumes a imóveis, passando por objetos de arte e eletrodomésticos. O vencedor do leilão combina com o vendedor a forma de pagamento e o envio da compra. Uma forma recomendável por segurança é o serviço de sedex dos Correios.
O QUE NÃO PODE: Todos os sites veiculam páginas com regulamentos, que explicam o que pode e o que não pode ser ofertado. O ‘‘não pode’’ segue as leis do País: drogas, armas, pornografia infantil, partes do corpo, animais silvestres e pirataria em geral.
CUIDADOS NA TRANSAÇÃO: Como nos classificados tradicionais, a transação é feita diretamente entre vendedor e comprador. Se uma das partes não ficar satisfeita, a única coisa que pode fazer é registrar um feedback negativo na ficha no site de quem o lesou. As fichas são públicas e devem ser consultadas antes das negociações, assim como os dados do cadastrado. Outro cuidado que o possível comprador deve ter é na avaliação dos lances. O próprio vendedor pode estar na disputa, dando lances só para aumentar o preço da venda.O surgimento de vários sites nacionais do gênero sugere que o brasileiro pode estar perdendo o medo de comprar à distância
Foto e imagens/Agência O GloboPÚBLICO CATIVOAdilson Rachid orgulha-se das máscaras africanas e bolachas de cerveja que comprou pelo AACohen (abaixo à esq.). Já o ‘‘Valeu’’ (dir.) é o novo investimento da NetCom, empresa de Jack London, pioneiro do e-commerce no Brasil

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