A médica Rosane Vasconcelos precisava comprar um novo notebook. Por indicação de um dos filhos, visitou uma loja eletrônica, o PC Shop (www.ibm.com.br/pcshop), e comprou seu Thinkpad 310. Em pleno sábado à noite, usando o laptop antigo na mesa da cozinha de sua casa e com o aval de toda a família.
As compras virtuais são cada vez mais comuns entre os internautas brasileiros, que ganharam mais opção em sites nacionais e estão perdendo o receio de pôr o número de seu cartão na rede.
Há pouco mais de uma semana, durante o Commerce Brasil 98 - 2º Congresso Nacional sobre Comércio Eletrônico, promovido pela Mantel no Business Club One, no Rio, os palestrantes fizeram um balanço das transações eletrônicas feitas no País.
Marcos Damasio, coordenador de Desenvolvimento de PDV da VisaNet, um dos palestrantes do congresso, acha que em 99 o Brasil vai realmente acordar para a nova modalidade de comércio. Ele conta que cresceu o número de estabelecimentos que procuraram a VisaNet em 98 para montar um negócio virtual.
Lilian Picciotti, diretora de Soluções da IBM, que falou sobre a infra-estrutura de comércio eletrônico no congresso, também acha que no próximo ano o comércio eletrônico vai decolar no país, mas chama a atenção para algumas dificuldades. Ela diz que muitas pessoas ainda têm receio por conta das questões de segurança e que a falta de ambientes integrados de pagamento dificulta o desenvolvimento das transações virtuais.
‘‘Muita gente que vende produtos pela Internet faz as transações com cartão de crédito off-line’’, explica Lilian. ‘‘É preciso facilitar a integração com a rede bancária e com as administradoras de cartão de crédito’’.
Quanto à segurança, ela afirma que deve prevalecer o bom senso e exemplifica: na hora de escolher um restaurante, ninguém entra num ambiente com pouca higiene. Essa cultura deve ser aplicada também na rede.
Marcos Damasio, que explorou as questões de segurança na sua palestra, também crê que, no Brasil, as pessoas ainda têm medo de pôr o número do cartão de crédito na rede. Mas acredita que a rede dispõe de sistemas de segurança eficientes para resolver a questão. Ele citou o padrão SET (Secure Electronic Transaction), um protocolo desenvolvido pela Visa International em parceria com empresas de tecnologia, especificamente para transações comerciais em rede aberta, como a Internet.
Com o protocolo, o site que está fazendo a venda não obtém o número do cartão de crédito do cliente que, como o estabelecimento comercial, é certificado digitalmente.
Damasio explicou ainda que os comerciantes precisam ter uma idéia dos produtos que se encaixam com o perfil das vendas virtuais. Ele comentou o sucesso da venda de flores, livros, CDs e produtos farmacêuticos, mas disse achar que mercadorias como roupas são menos procuradas.
Valéria Belfiore Santoro, supervisora de Vendas da Modamania (www.modamania.com.br), que inaugurou um site para vendas de roupas e acessórios há três meses, diz que os clientes não estão acostumados a comprar pela rede. Mas ela afirma que o objetivo do site é atender pessoas que moram onde não há lojas físicas.
Com uma média de três mil pedidos por mês, a Booknet (www.booknet.com.br) se consagrou como livraria virtual. O sucesso no ciberespaço abriu brechas para a abertura de duas lojas físicas, uma no Niterói Plaza Shopping e outra no FashionMall. Jack London, dono da Booknet, diz que a loja virtual vende uma quantidade de livros equivalente à das duas lojas dos shoppings.

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