Córnea artificial é um
avanço sem precedentes
Feita de plástico maleável, córnea é resultado de mais de 200 anos de pesquisa
John Yarwood
France Presse

Reprodução
Desenvolvida na Austrália, córnea artificial poderá devolver a visão a milhões de pessoas em todo mundoUma córnea artificial desenvolvida por cientistas australianos traz uma nova esperança para milhões de pessoas cegas no mundo, segundo declarou esta semana um dos mais conhecidos especialistas do mundo em cirurgia oftamológica.
O professor Ian Constable, diretor do Instituto Oftalmológico Lions, sediado em Perth, descreveu o aparelho como um ‘‘extraordinádio avanço científico’’ ao apresentar pela primeira vez no mundo uma córnea sintética flexível, resultado de mais de sete anos de pesquisas.
O aparelho é feito de plástico maleável e tem um grande conteúdo de água, similar a uma lente de contato e substituirá a membrana externa dura do globo ocular.
A córnea artificial, inserida através de cirurgia, custará dois mil dólares quando for produzida mundialmente, dentro de três anos.
‘‘Mais de dez milhões de pessoas sofrem de desgarramento de córnea e cegueira e o aparelho que conseguimos criar poderá aliviar este grande sofrimento’’, disse.
Uma das primeiras pessoas a receber a córnea artificial foi um aposentado de 79 anos de Perth, Patrick Critchison, que foi operado há dois meses.
‘‘Estou encantado com o resultado. Sou cego do olho direito desde os sete anos. Depois da operação comecei a recuperar parte da visão. Estou certo de que minha vista vai melhorar com o passar do tempo’’, disse Critchison.
Os pesquisadores médicos estão tentado há mais de 200 anos produzir uma córnea artificial, usando vários materiais como vidro, silicone e titânio sem ter sucesso.
Constable, professor de oftalmologia da Universidade de Ocidente da Austrália, disse que a córnea artificial se assemelha muito a uma córnea humana e que também é de fácil implantação.
‘‘As tentativas anteriores feitas no mundo para desenvolver uma córnea artificial se concentraram em objetos rígidos’’, explicou.
‘‘Algumas vezes foram inseridas em pacientes com as pálpebras fechadas para produzir uma ‘janela’. Infelizmente, em sua maior parte não conseguiram fazer com que a vista voltasse’’, continuou.
O professor disse que a nova córnea foi o resultado da pesquisa realizada pelo químico especialista em polímeros de origem romena Traian Chirila e uma equipe de cientistas.
‘‘Conseguiram com esta lente flexível e lisa que o olho aceitasse o transplante. Sua aparência é quase similar a uma lente de contato maleável, mas revestida de uma cobertura porosa. Este material esponjoso, biocompatível, permite que o próprio tecido ocular chegue a se adaptar’’, continuou.
Diferente de uma lente de contato, a córnea é implantada em uma operação similar à de um transplante para substituir a córnea danificada.
‘‘O fato de a beirada e a lente serem feitas do mesmo material permite que não existam problemas no contato entre a parte ótica da córnea artificial e a beirada, o que reduz amplamente os riscos de infecção, inflamação, lesões e glaucomas’’, explicou.
A primeira operação para implantar a nova córnea foi feita por cirurgiões do instituto, os doutores Geoffrey Crawfrod e Cecilia Hicks.

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