Contratação na Módulo envolve muitos testes
Com a situação esclarecida, Bruno foi à Módulo pedir desculpas e acabou ficando. Claro: teve que cumprir uma batelada de exigências para ser contratado. Mas agora está feliz da vida.
Nossos métodos de seleção são extremamente rigorosos, diz Alberto Bastos, diretor de Segurança de Informação. Depois de aprovado nos testes, o hacker passa por vários programas de adequação à cultura da empresa para integrar-se à sua nova realidade. Mas aqueles que, mesmo sendo tecnicamente excelentes, correm algum risco de escorregar no aspecto ético, ficam de fora.
Nós trabalhamos com segredos vitais dos nossos clientes; mexemos nos arquivos deles como se fossem nossos, assegura Bastos, Não podemos correr nenhum tipo de risco.
Se um aspirante a hacker quiser enviar seu currículo para a Módulo, pode escrever para [email protected], mas sem pressa: as contratações acontecem dentro de um cronograma da empresa e atendem, basicamente, ao gosto do mercado. Tipicamente, a carreira começa com um estágio remunerado, seguido de uma contratação para o cargo de técnico de segurança e, mais tarde, se for o caso, o fuçador vira analista de segurança, onde poderá ganhar até R$ 2 mil mensais. Bastos diz que são poucos - mas muito bons - os hackers que chegam a esse nível.
Outro exemplo de hacker
bem-sucedido é o de Gustavo Fuchs [email protected], atualmente trabalhando em consultoria em segurança de redes na Unikey Internet. Função? Difícil dizer. Com 17 anos, ele não pode ser qualificado nem como consultor nem analista, embora entenda do traçado tanto ou mais do que muitos analistas e consultores formalmente constituídos.
Gustavo começou sua carreira como... hacker mesmo, hackeando o saudoso IPI BBS, onde se reuniam os monstros da época. Depois, montou seu próprio serviço, o Pirates BBS, de onde era possível sugar literalmente tudo. Daí para a segurança de redes foi um pulo. Hoje, Gustavo é apenas aluno de um curso de informática na Faculdade da Cidade. Mas, como tem vários certificados da Microsoft, é um palestrante habitual dos cursos de pós-graduação da própria faculdade.
Personagens como Wyly Wade, Bruno da Costa ou Gustavo Fuchs serão cada vez mais uma mão-de-obra rara e cobiçada nas grandes empresas. Não é para menos. Segundo o FBI, 75% das 500 maiores companhias particulares ou órgãos do Governo já foram vítimas de algum tipo de invasão. O prejuízo médio - por invasão - gira na casa dos US$ 200 mil. Em 15% dos casos de invasão, os prejuízos ultrapassaram US$ 1 milhão.





