Consumidor entra no jogo contra violência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de março de 1998
Ranulfo Pedreiro 
Mais um jogo em CD-ROM foi proibido no Brasil. O Grand Theft Auto - O Grande Ladrão de Carros, conhecido como GTA, teve sua circulação proibida pelo Departamento de Defesa do Consumidor em Brasília. O processo teve início no Paraná.
A Procuradoria da República no Estado recebeu uma representação - uma espécie de reclamação formal - do geógrafo Jorge de Oliveira, residente em Curitiba, contra o jogo. No documento, ele declara que tomou conhecimento do software por intermédio de uma publicidade na Revista CD-ROM Today, número 12, de dezembro de 1997. O GTA é um game em que o jogador furta carros e ganha pontos em fugas espetaculares. A Folha tentou ouvir o consumidor. A pedido dele, o número de seu telefone não pode ser informado.
Na representação, o geógrafo argumenta: O objeto da controvérsia é um jogo que pode estimular a repetição das cenas na vida real, mesmo sob a forma de brincadeira, com possíveis consequências trágicas. No final do pedido, Oliveira declara: Face o exposto e entendendo ser o jogo, em epígrafe, socialmente nocivo, moralmente condenável, e condutor de apologia ao crime e à violência, podendo contribuir para a deformação de comportamento, principalmente das crianças e dos jovens, requer sejam tomadas as providências legais cabíveis no sentido de determinar a proibição de sua comercialização. O documento é de 16 de dezembro de 97.
Em despacho do dia 29 de janeiro, Nelson Faria Lins DAlbuquerque Júnior, diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, determinou abertura de processo administrativo contra a BMG Interactive e a MPO Multimídia, distribuidora do jogo. Como resultado, o game teve sua comercialização proibida.
Para Marco Botana, presidente da MPO Multimídia, que distribuiu o jogo no Brasil, o software foi proibido antes de ser lançado. A proibição saiu no segundo dia de venda. O Ministério Público não tinha esse jogo em mãos. Sou contrário à proibição, lanço jogos e analiso bem. O GTA é politicamente incorreto, mas está claro na embalagem que ele é desaconselhável para menores de 18 anos. Acho que com essa idade a personalidade da pessoa já está formada e ninguém sairá por aí roubando carros por causa de um jogo, diz.
Para Botana o ideal seria limitar a venda a uma faixa etária, mas não proibir: Tem filmes que passam na TV aberta à tarde que são mais violentos. Uma pessoa adulta tem o direito de adquirir esse produto. O empresário acredita em um consenso para resolver a questão: Devemos caminhar para uma legislação moderna em relação ao assunto. Talvez consigamos um aconselhamento para o jogo ter circulação limitada.


