Conjuntos estão em estado lastimável
A busca de novas tecnologias para a construção de casas populares em grandes conjuntos habitacionais não é uma veleidade acadêmica. No início deste ano, uma equipe de arquitetos e estudantes de arquitetura da Unimep - Universidade Metodista de Piracicaba - fez 179 visitas a conjuntos habitacionais de municípios do interior do Estado de São Paulo. A equipe, coordenada pelo Arquiteto Hélio dias da Silva, realizou a investigação a pedido do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, o IPT. Além desta, mais três equipes técnicas, uma da Capital e as outras de São Carlos e Lins, avaliaram dezenas de conjuntos habitacionais, cobrindo praticamente todo o território paulista.
O resultado foi chocante. Metade das casas dos conjuntos habitacionais com mais de cinco anos já teve que ser totalmente reformada ou não oferece mais as condições mínimas de moradia. Outros 20% necessitam de reformas urgentes. estão com as paredes em ruínas, sistemas hidráulicos e de saneamento em colapso, infiltrações e umidade, rachaduras, destelhamentos e assim por diante.
Em alguns casos, segundo Hélio, a situação é dramática. Num conjunto habitacional da cidade de Araras, por exemplo, os encadeamentos das casas haviam rompido e as paredes de cozinhas e banheiros estavam totalmente tomadas pela umidade e pelo musgo. A julgar pelo que vimos, a situação fornece bases para uma verdadeira devassa nas regras de repasse do dinheiro público para a construção de casas populares, afirma.
Na maioria dos casos, de acordo com Hélio, as empreiteiras não respeitam as normas básicas definidas pelos projetos. São utilizados materiais de qualidade inferior às especificadas por lei e os próprios modelos das casas nem sempre respeitam as necessidades daqueles que irão viver nelas. (P.S.M.)





