Jay Dougherty
Deutsche Presse,
De Washington
A primeira prova de que o novo milênio deve desatar uma nova geração de criaturas cibernéticas destrutivas pode aparecer já no dia 25 de dezembro deste ano com o virulento ‘‘Christmas’’ – que pode estabelecer novas normas de destruição em computadores de todo o mundo
O mundo tecnológico estará concentrado nos próximos meses no Bug do Milênio, já batizado oficialmente como Y2K, esperando que o Ano Novo não provoque o colapso de milhares de computadores, ao reconhecer erroneamente o dia 1º de janeiro do ano 2000 como 1º de janeiro de 1900.
Mas quem terá a última palavra serão os programadores de vírus. Os especialistas advertem que os progenitores destas criaturas cibernéticas estão trabalhando arduamente para criar uma nova geração de códigos destrutivos. O combate a esses vírus vai requerer um esforço que poderia anular o tempo e o dinheiro já investidos para evitar o bug.
‘‘O problema dos vírus aumentou’’, disse o doutor Jan Hruska, da Sophos International, uma companhia norte-americana dedicada ao desenvolvimento de produtos informáticos de segurança para grandes empresas.
‘‘O submundo dos fabricantes de vírus parece decidido a provocar o máximo possível de danos’’, acrescentou. ‘‘Estão usando a Internet em todo o seu potencial para a difusão de vírus’’, disse ele.
Em 1999, já ocorreu uma primeira antecipação do estrago com o ‘‘Happy99’’, um vírus tipo ‘‘cavalo de Tróia’’ com uma saudação de Ano Novo multicolorida, relativamente inofensivo, que este ano começou a circular na Europa e nos Estados Unidos através do correio eletrônico e já se espalhou pelo resto do mundo.
Mas a primeira prova de que o novo milênio pode desatar uma nova geração de problemas apareceria já no dia 25 de dezembro deste ano. É a data em que se ativaria um virulento ‘‘Christmas Virus’’ (Vírus do Natal) que pode estabelecer novas normas de destruição.
Descoberto recentemente por investigadores antivírus, o ‘‘Christmas’’ seria inclusive mais letal que o vírus Chernobyl, que paralisou no início deste ano milhares de computadores na Ásia.
O vírus de Natal não somente apaga arquivos do disco rígido, como também inutiliza o computador ao destruir seu sistema básico de entrada e saída de dados – Basic Input-Output System ou BIOS – o código com o qual o equipamento se comunica ao se ativar o PC.
‘‘Este é venenoso, está muito bem elaborado’’, disse Dan Takata, investigador da Data Fellows, Inc., uma empresa norte-americana que comercializa sistemas antivírus. As vitímas potenciais são todas aquelas que usem os sistemas operacionais Windows 95, 98 ou Windows NT. Segundo os investigadores, dentro do vírus há um poema repleto de palavrinhas e delirios antirreligiosos que um usuário comum não chega a notar.
A única boa notícia sobre esse vírus é que ele é relativamente fácil de ser detectado, se o usuário tiver em seu computador um programa atualizado com os últimos códigos antivírus.
‘‘O problema com um vírus como este é que existe um grande número de usuários que não dispõem de proteção contra vírus ou que não atualizam regularmente seus programas antivírus’’, disse Keith Peer, presidente da Central Command, empresa norte-americana produtora de antivírus.
Os especialistas temem que o Vírus de Natal, como muitos outros hoje em dia, possa converter-se em uma ameaça geral, viajando principalmente através da Internet como arquivo ‘‘attachado’’ a mensagens eletrônicas.
Muitos dos vírus que apareceram ultimamente – como o Happy99 – são ‘‘attachados’’ automaticamente a mensagens de correio eletrônico enviadas através de determinados ‘‘gateways’’ (portais) da Internet. O vírus infecta o computador quando o usuário abre inocentemente o arquivo.
William Grogg, presidente da Timberwolf Software, assinala que as futuras vias de difusão de vírus serão muito variadas: dentro de documentos de processadores de textos ou de planilhas de cálculo, como arquivos anexados a mensagens eletrônicas pela Internet, através de ‘‘appelets’’ de Java em programas de busca pela Internet, e inclusive dentro de ‘‘drivers’’ ou programas incluídos nos sistemas operacionais.
Os usuários deverão desconfiar dos CD-ROMs distribuídos pelas revistas de informática, com centenas de megabytes em programas gratuitos ou shareware. ‘‘Existem pelo menos dez casos documentados de dezenas ou centenas de discos infectados que foram distribuídos por revistas de informática’’, adverte Hruska.
A proteção contra a proliferação de vírus será no futuro também mais sofisticada, adiantam os especialistas. Em razão da Internet estar se convertendo na via favorita para a transmissão de vírus, serão aperfeiçoados os programas de detecção antivírus nos portais da Internet, e, nas empresas, nos servidores que distribuem as mensagens eletrônicas a seus funcionários.
Hruska prvê que chegará o dia em que o software de antivírus dos computadores das empresas será capaz de interceptar os e-mails, eliminar os arquivos attachados, abrir as partes que estejam codificadas e enviá-las ao scanner de vírus. Os arquivos infectados serão desinfectados ou simplesmente eliminados, enquanto que os ‘‘limpos’’ serão enviados a seus destinatários.
Mas, agora e no futuro, a melhor defesa individual contra os vírus continua sendo a utilização de um programa antivírus de boa reputação, assegurando-se de que ele seja sempre atualizado.
‘‘Deve-se recordar a necessidade de manter o software antivírus atualizado pelo menos mensalmente, pois sempre existe o perigo do surgimento, cedo ou tarde, de um novo vírus’’, adverte Jon Lester, especialista em segurança informática de San Diego, Califórnia.

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