Conexão rápida com modem de 56K
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quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Agência Estado 
Com o congestionamento na Rede, o desejo de qualquer internauta hoje é conseguir aumentar a velocidade de conexão, principalmente quando se está fazendo o download de um programa. Alguns megabytes significam horas de espera, isso se não houver queda da conexão, o que poderia ocasionar a perda total do que já havia sido baixado.
Até há pouco tempo, a conexão por modem em linha telefônica comum esbarrava no limite de 33,6 Kbps (sem compressão de dados). Isso por causa do ruído (ou interferência) existente na linha analógica. Mas os fabricantes de modems perceberam que, no caso das linhas digitais, esse limite poderia saltar para 64 Kbps, já que praticamente não há ruídos na conexão. Tirando-se 8 Kb que servem para envio de instruções, foi possível chegar ao novo limite de 56 Kbps para o recebimento de dados, explica Cássio Spina, diretor da Trellis, empresa que fabrica modems com tecnologia Rockwell e distribui equipamentos da marca Hayes. Por enquanto, o usuário não conseguirá enviar dados a essa velocidade, apenas receber, pois sua conexão com o provedor continua sendo analógica.
Para se chegar ao limite (teórico) de 56 Kbps, algumas condições são necessárias. Primeiro, que as centrais telefônicas do usuário e do provedor sejam digitais. O provedor deve estar ligado à sua central por meio de linhas padrão E1 de 2 Mbps. Por fim, tanto o usuário quanto o provedor devem usar modems de 56 Kbps com tecnologias compatíveis. Moro nos Estados Unidos e em minha casa tenho um modem de 56 Kbps. Nunca consegui atingir a velocidade total. Em geral, a conexão fica entre 42 e 45 Kbps, comenta José Colagrossi, diretor da Hayes do Brasil.
Ele explica que, atualmente, existem duas tecnologias no mercado que não são compatíveis: a K56, desenvolvida pelo consórcio Motorola, Rockwell e Lucent, e a x2, da fabricante de modems US Robotics. Tem início uma grande batalha de mercado, com ambos os lados querendo impor seu padrão. A International Telecommunication Union (ITU), órgão normatizador do setor de comunicações, está analisando as duas tecnologias e deverá, até o fim do ano, dar seu primeiro pronunciamento de qual será o padrão internacional de 56 Kbps. Particularmente, acredito que a ITU tomará uma atitude política e não apoiará nenhum dos lados, devendo lançar uma terceira tecnologia, diz Colagrossi.
Denoel Eller Jr., diretor da Motorola do Brasil, acredita que a ITU deverá optar pelo K56. Já é um padrão de fato, com o apoio de mais de 122 fabricantes de modems. A x2 da US Robotics é uma tecnologia proprietária e a ITU, historicamente, sempre foi contrária a isso, salienta. A US Robotics foi comprada recentemente pela 3Com, que apóia a tecnologia K56.
No momento, nenhum provedor está usando, efetivamente, modems com essa tecnologia. Estamos todos aguardando a definição do padrão, diz Sérgio Sá, diretor de Marketing da Unilink. Há notícias de projetos piloto sendo realizados em diversos provedores, mas, segundo o presidente da Abranet, entidade que congrega os provedores de Internet, Antonio Tavares, a maioria prefere ainda não arriscar.


