Conexão acelerada
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Desde que começou a ser implantada no Brasil em 2013, a tecnologia 4G chegou a 359 cidades brasileiras, onde vivem 52% da população brasileira. As informações são da Associação Brasileira de Telecomunicações, a Telebrasil. Nos 12 meses anteriores à pesquisa, realizada em outubro do ano passado, houve um crescimento de 178% no número de municípios atendidos pela tecnologia.
Por outro lado, a penetração da 4G - número de usuários em relação à população total -, é de 11,65% no País, segundo dados da 4G Americas, uma associação setorial de provedores de serviços e fabricantes do setor de telecomunicações. O índice coloca o Brasil como a quarta federação com maior penetração de linhas LTE na América Latina - atrás de Uruguai, Chile e Peru -, mas acima da média latino-americana, de 8,91%.
O cronograma da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a implantação do 4G no Brasil estabelecia que até o final de 2016 288 municípios deveriam estar cobertos com a tecnologia de quarta geração. "Estamos além do que está estabelecido o cronograma", comemora Sérgio Kern, diretor da Telebrasil.
A visão dos especialistas da área é que a adoção do 4G pela população está sendo mais rápida que nas outras gerações. "Imagino que por conta da demanda dos usuários por dados", opina Kern. "O consumo de dados está mudando. O usuário usa mais pacote de dados do que voz." Segundo José Otero, diretor da 4G Americas para o Caribe e a América Latina, o barateamento dos pacotes de dados é outro fator que acelera a adesão e o crescimento do 4G.
Mas o uso da tecnologia no País será maior quando a faixa dos 700 MHz for liberada para o uso do 4G pelas operadoras, sobretudo para as áreas rurais, comenta o diretor da 4G Americas. A perspectiva é que em três ou quatro anos a penetração do 4G no Brasil chegue à metade da população.
Ano olímpico
Com a Olimpíada no Brasil em 2016, a expectativa é de impulsionamento da tecnologia. "Não só no Brasil, mas em toda a América Latina, nós esperamos que com a maior cobertura nas cidades as operadoras vão passar a ofertar novos pacotes e serviços que vão facilitar a contratação da LTE. Os preços dos aparelhos com 4G também vão diminuir."
Entretanto, existem alguns "obstáculos" que podem atrasar o avanço da tecnologia no País. Otero cita a alta carga tributária, que incide tanto sobre ligações quanto sobre o consumo de aparelhos com 4G. Kern, da Telebrasil, divide a mesma opinião. "Vai depender do governo facilitar os investimentos. Esse ano vai se configurar um ano muito difícil. Se ficar no mesmo nível que no ano passado, já está bom." A suspensão da Lei do Bem para produtos de informática também deverá desacelerar a adoção do 4G, acrescenta o diretor da Associação, já que produtos como smartphones ficarão mais caros.


