A segunda pesquisa Cadê?/Ibope sobre o perfil do internauta brasileiro, divulgada semana passada na rede (http://www.ibope.com.br/cade97), trouxe algumas tendências diferentes das que foram aferidas na primeira pesquisa, realizada em novembro do ano passado. Ao todo foram preenchidos 25.316 questionários eletrônicos enviados de todas as regiões do País.
A principal diferença entre as duas pesquisas é o aumento da participação das mulheres na Internet, que passou de 17% para 25%. Houve também uma diminuição no percentual de pessoas que falam inglês. Enquanto a primeira pesquisa Cadê?/Ibope registrava 62%, esta mostrou que agora apenas 58% se comunicam naquela língua. Destes, 70% são jovens.
Esse fato já era previsível na medida que a Internet brasileira oferece hoje uma grande quantidades de sites em língua portuguesa. A segunda pesquisa registrou um aumento no número de empresas brasileiras catalogadas no próprio serviço de busca Cadê?, que ‘‘pulou’’ de nove mil para 36 mil empresas no período de um ano, um aumento de 400%.
Topo da pirâmide No segmento Perfil Ocupacional e Posição na Ocupação, 70% dos internautas brasileiros exercem atividade econômica, enquanto 58% são estudantes e apenas 32% não estão no mercado profissional. Entre os que exercem atividade econômica, cerca de 18% trabalham com informática, 7% no setor administrativo, e os demais estão distribuídos por todos os setores de atividades da sociedade. Com relação à posição na ocupação, um em cada quatro usuários (23%) são empresários ou executivos.
Segundo a pesquisa Cadê?/Ibope, do ponto de vista sócio-econômico o usuário da Internet está no topo do pirâmide social - cuja distribuição de renda é diametralmente oposta à da população brasileira em geral - e representa o segmento mais qualificado: 38% têm nível de instrução superior, o mesmo índice verificado para quem tem ou está cursando o segundo grau. Três em cada cinco usuários (60%) têm renda familiar maior que 20 salários mínimos, enquanto 19% têm rendimentos acima dos 50 salários mínimos. Sessenta e oito por cento dos entrevistados são assinantes de revista, 51% assinam jornal e 50% assinam TV paga.
A segunda pesquisa Cadê?/Ibope recebeu questionários eletrônicos de todos os estados brasileiros sendo que 0,6% foram enviados por usuários que residem hoje no exterior. Considerando que o índice de respostas da pesquisa seja proporcional à distribuição geográfica dos usuários, verifica-se que a Internet está mais concentrada no estados da Região Sudeste. Embora esta região detenha 43% da população total do País, na Internet representa 57% do total dos usuários. O Distrito Federal, cuja participação na população brasileira é de 1%, representa 4% do universo dos internautas.
Os jovens com menos de 20 anos são os principais usuários dos chats, já que 23% deste segmento consideram estes serviços como a principal atração na rede. Dois terços (64%) dos pesquisados apontam a própria rede como a principal fonte de endereços de novas páginas, enquanto 23% buscam estas informaçoes através da imprensa.
Maior interesse As notícias são o assunto de maior interesse na rede e o principal destino dos internautas, sendo que 81% deles têm total ou muito interesse em obtê-las. Ciência e música agradam muito a dois terços dos usuários, enquanto os demais assuntos dividem o interesse do público pesquisado. Por segmentos demográficos, a música, artes e turismo são temas de mais interesse para mulheres, enquanto os homens preferem esporte. Os jovens têm maior interesse em música e esportes do que os adultos, que preferem buscar notícias, ciências, artes e turismo.
O potencial de vendas de serviços e produtos pela Internet parece promissor, cerca de 19% dos usuários já compraram algo pela rede e outros 62% mostraram-se interessados em compras futuras. Além disto, 53% aceitariam pagar para utilizar serviços na rede. A forma de cobrança e crédito não deverão ser problemas visto que 72% dos internautas possuem cartão de crédito sendo que 52% destes têm cartão de crédito internacional. Mas, por enquanto, os principais compradores na Internet são os homens. Enquanto 22% deles já adquiriram produtos e serviços na rede, somente 11% das mulheres fizeram o mesmo.

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