Condições competitivas
Uma das grandes questões do simpósio realizado em São Paulo foi a relação entre institutos públicos de pesquisa e a iniciativa privada. Inclusive foi esse o tema do seminário apresentado pelo pesquisador Paulo Varela Sendin e a equipe do Iapar. Até que ponto se pode avançar na parceria tecnológica entre os setores público e privado? É preciso entender que a relação deve existir, mas não se pode dirigir todo o esforço dos centros de pesquisa estatais para beneficiar empresas particulares, ressalta o pesquisador.
No entanto, Sendin vê nas universidades e institutos a forma de garantir condições competitivas para as empresas nacionais, principalmente as médias e pequenas.
Acontecem então vários problemas. O setor produtivo está descapitalizado e acuado pela abertura de mercado e a mundialização econômica. Os centros de pesquisa, por sua parte, não têm autonomia para trabalhar melhor. Se um laboratorista pede demissão, é preciso enfrentar todo um trâmite burocrático para contratar outro. E isso a empresa não pode esperar, diz Sendin. Com todos esses obstáculos, boa parte do empresariado acaba ficando para trás na luta pelos mercados. Ainda há muito amadorismo na gestão de tecnologia, diz Sendin.
No que diz respeito ao Paraná, o pesquisador pede a regulamentação do artigo 205 da Constituição Estadual, que destina uma parcela de 2% da receita tributária paranaense ao setor científico-tecnológico.
Sendin defende a criação de um instituto de fomento à pesquisa no Paraná, nos moldes da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). Isso tornaria as universidades e institutos paranaenses mais competitivos, e daria impulso ao desenvolvimento do Estado. Não é por acaso que São Paulo está na frente na área científica e tecnológica.
Convém lembrar que ciência e a tecnologia são processos cumulativos. Não se pode investir hoje e ter resultado amanhã. Mas uma fundação estadual de pesquisa criaria, de acordo com Sendin, uma massa crítica mais competitiva e fortaleceria o vínculo entre empresários e cientistas. Na opinião do coordenador de planejamento do Iapar, a criação de um órgão de apoio aos pesquisadores viria a acelerar a transformação de conhecimentos em produtos - um grande passo para o desenvolvimento. (P.B.)





