Os poucos que ainda acham que o computador é um aparelho sinistro e indecifrável fiquem atentos, pois boas oportunidades de trabalho podem estar sendo deixadas de lado. Muitos profissionais fizeram do micro uma ferramenta valiosa. Tanto que, por causa dele, desviaram o seu rumo profissional e hoje ampliaram suas chances no mercado.
Utilizando um computador, um scanner e programas específicos para tratamento de imagens, o fotógrafo e técnico em informática, Rui Porto, faz restauração de fotografias e retratos pintados e os transforma em cópias digitais totalmente recuperadas.
Por meio de programas como o PhotoShop, PaintShop e CorelPaint, ele apaga as marcas deixadas pelo tempo e traz de volta as lembranças de casamentos, batizados ou, simplesmente, retratos de infância.
O fotógrafo também corrige problemas de iluminação e cor de fotos de estúdio. ‘‘Virou um outro campo, mas é preciso se atualizar constantemente na área de informática’’, comenta.
Porto possui ainda o equipamento da Polaroid Digital (Polaroid Digital Palette CI 5000S) que gera negativos ou slides com resolução de até 4000 dpi, a partir de fotografias. Este tipo de serviço, segundo ele, é indicado para projeções.
Além disso, ele trabalha com interferência digital em imagens, produzindo capas de CDs. ‘‘Fora o meu conhecimento em informática, dominei os programas comprando livros; comecei com o Corel 3 e hoje já estou no Corel 9.’’
Outro fotógrafo que deu um rumo diferente para a carreira é Silas Monteiro da Silva. Ele, que veio da zona rural, conta, sem desmerecimento, que começou fotografando casamentos e batizados. Hoje, ele tem um bureau de áudio-visual que produz CDs para DataShow, ‘‘escaneia’’ e trata imagens, além de uma série de outros serviços.
Sua carteira de clientes abrange toda a região sul, São Paulo, além de multinacionais como a Basf. E tudo por causa do computador. ‘‘Estava na fotografia, mais fui tendo mais procura na área de áudio-visual e acabei tendo a necessidade de melhorar o serviço com o uso do PC’’, completa.
Sua relação com o computador, afirma, teve início em 1990, ‘‘com um 386 DX40, equipado com uma placa de vídeo de 502 K’’. Hoje, trabalha com um Pentium III e um Pentium 266, equipados com a versão 2000 do Windows, PhotoShop, CorelDraw e Power Point. Possui ainda um scanner de mesa e um gerador de negativos e slides Polaroid.
Silas conta que quando começou, ‘‘o computador ainda era um mistério e uma profecia’’. Dez anos depois, dá assistência para suas máquinas e instala, ele mesmo, versões atualizadas dos programas e novos equipamentos. Isso sem ter frequentado nem um curso específico.
Já o ex-músico da dupla sertaneja feminina ‘‘As Marcianas’’, Marcos Rogério Garcia, trocou os teclados pelo computador há três anos, quando resolveu montar um home-studio (estúdio caseiro) de gravação, ‘‘mesmo sem conhecer muito bem as máquinas e os programas’’.
Hoje, o músico é proprietário do Estúdio Meridian e faz gravações em CD para bandas sertanejas, utilizando os softwares Samplitud, versão 2.0, e o CakeWalk pró-áudio, que possibilita gravações em até 256 canais. Graças ao avanço tecnológico, com este equipamento de pouco mais de R$ 15 mil ele consegue realizar trabalhos equivalentes a um equipamento de R$ 300 mil, e com qualidade melhor.
‘‘Nunca tive a intenção de trabalhar com computadores; queria ser músico e viver tocando. Hoje, tudo mudou para melhor e não quero nem saber mais de estrada’’, afirma Garcia.
Quem também venceu o ‘‘preconceito contra o computador’’ foi Kléber Arantes. Depois de sofrer um acidente de trânsito, há dez anos, ele perdeu os movimentos das pernas e passou a se locomover com a ajuda de uma cadeira de rodas. Como as oportunidades de trabalho para deficientes físicos não são das melhores, ele resolveu o problema depois que comprou um computador há 4 anos.
Arantes confessa que no início não via com bons olhos o micro, ‘‘porque sempre acabava ligando com o acidente’’. Hoje, entretanto, ‘‘o computador é quase que um companheiro e quando ele está desligado é bem estranho’’, revela.
Com o seu Pentium, Arantes realiza trabalhos de digitação para terceiros – desde currículos até teses de mestrado –, segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ilustrações, traduções de obras do francês e inglês para o português e consultas astrológicas para cálculo de mapa astral.

PARA O INICIANTE

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