Paulo Wolfgang/Arquivo FolhaPrivilégioPaulo Kishima, gerente da Sanepar: ‘‘Londrina tem hoje uma situação privilegiada em relação ao tratamento de esgoto.’’O gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima, admite que a eficiência do tratamento do esgoto não é 100% satisfatória e sempre algum resíduo de poluentes - menos de 10% - acaba indo parar no rio. Mas destaca: o problema da poluição nos ribeirões Quati e Lindóia, na zona norte de Londrina, é agravado muito mais por ligações clandestinas de esgoto do que pela própria Sanepar. ‘‘Melhoramos muito o tratamento e Londrina tem hoje uma situação privilegiada em relação ao tratamento de esgoto. Além do mais, o rio se auto-depura, vai ficar bom lá na frente’’, diz.
Kishima observa, porém, que na época que foram feitas as coletas para o trabalho de Fábio da Cunha, entre outubro e novembro de 1995, a situação era realmente muito diferente. ‘‘Nós não tinhamos o sistema de tratamento da região norte e o esgoto era lançado in natura na água do ribeirão. A partir de abril do ano passado a nossa estação passou a eliminar todo aquele tipo de lançamento’’.
O gerente da Sanepar aponta ainda outro problema: ligações clandestinas de água de chuva que vão parar na rede de esgoto, ao invés da rede de águas pluviais. Isso provoca, segundo Kishima, uma sobrecarga no sistema e consequente diminuição da qualidade do tratamento. ‘‘Se por exemplo, a estação tem capacidade para receber 150 litros por segundo e recebe 450 litros, o que sobra acaba indo para fora’’, diz.‘‘E a água do Quati já chega poluída na estação do Bom Retiro. Nós podemos contribuir com a poluição, mas também existem outras fontes’’, destaca.
Monitoramento Paulo Kishima acrescenta que a companhia tem procurado trabalhar de forma adequada os efluentes para proteger os mananciais, inclusive com monitoramento da qualidade da água e nível de poluição. Por isso, ele não acredita que a desativação da estação do Bom Retiro - apontada no trabalho de Cunha como uma das soluções para a despoluição do Quati - seja viável, pelo menos por enquanto. ‘‘Aquela estação tem 30 anos e hoje o tratamento tem uma boa qualidade. Para que deixar isso tudo ocioso?’’.
Segundo o gerente metropolitano da Sanepar, na última terça-feira seria assinado novo convênio - entre Banco do Brasil, governo do Paraná, Sanepar e prefeitura de Londrina - para complementar e aprimorar as redes de água e esgoto nas regiões norte e sul de Londrina. Os recursos previstos no projeto são em torno de R$ 20 milhões, sendo que R$ 15 milhões serão destinados especificamente para esgoto. Assim que os recursos estiverem liberados começa a fase da licitação da obra.
Além disso, outras obras de ampliação de rede está em curso nos conjuntos Violin, Semíramis Braga e Sebastião de Melo César - todos na zona norte de Londrina. ‘‘Parte da capacidade de tratamento de esgoto na zona norte está ociosa, ou seja, é maior do que a necessidade atual. E ainda assim estamos ampliando, porque queremos prevenir situações futuras’’, explica Paulo Kishima. Hoje, a rede de esgoto cobre cerca de 60% do município de Londrina. Desse total, 90% do esgoto é tratado.

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