Como prever o futuro da tecnologia?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
Se há pouco tempo vivíamos na era da instantaneidade, hoje já chegamos ao ponto da ''futuridade''. E, acreditem ou não, prever o futuro da tecnologia é possível. E através de um ''cubo de cristal''. Exatamente, um cubo. A proposta é do pesquisador emérito da IBM, Jean Paul Jacob, que mostrou o método criado por ele no IBM Fórum 2011, realizado há uma semana, em São Paulo.
O pesquisador brasileiro, formado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e hoje residente no Vale do Silício, nos EUA, trocou a bola de cristal pelo objeto de seis faces para antecipar, de forma lógica, as tendências da tecnologia. Apesar de ter exibido o cubo de cristal durante o evento, ele o uso apenas como metáfora para mostrar que o futuro tecnológico depende de seis fatores, assim como um cubo possui seis faces.
Para quem não aguenta esperar, Jacob deu pistas sobre o futuro. Não há uma ordem específica a ser seguida, mas saber ''o que as pessoas querem'' é um item crucial para descobrir o que poderá ser da tecnologia nos próximos anos. ''As pessoas querem parar de programar tudo o que o computador quer saber e ter máquinas que aprendam a adquirir conhecimento'', afirmou.
Exemplos são as percepções que só os seres humanos têm sobre a variedade de sentidos de palavras como ''frango'', que pode ser o animal ou um gol tomado pelo goleiro. Essa duplicidade é muito difícil de ser programada pelo computador. ''É mais simples ensinar o computador a aprender'', disse Jacob.
Outra face são os desafios a serem vencidos tanto por empresas, como pelo Estado, país e famílias. Educação, energia, desastres naturais, água, saúde são algumas das demandas citadas por Jacob.
As tendências tecnológicas que já podem ser vislumbradas no presente, como a nanotecnologia, também auxiliam a encontrar o caminho para o futuro. Jacob destacou pesquisas da IBM nessa área, como o chip que faz teste de sangue.
Para serem viáveis no futuro, as ideias também ''devem ser simples como mágica''. A capa da invisibilidade, por exemplo, é uma ideia que parece ser impossível de ser realizada. Jacob mostra, no entanto, que testes já conseguiram fazer com que uma pessoa ''pareça'' invisível.
O momento em que queremos que aconteça uma nova ideia é outra faceta que ajuda a definir o futuro da tecnologia. Eventos como a Copa do Mundo incentivam o trabalho do setor e clarifica a visão do que se pode esperar.
Por fim, examinar o futuro por meio do cubo de Jacob depende de leis e regulamentos que podem inibir ou facilitar as inovações. Uma lei que exige a presença de um frentista em postos de gasolina, por exemplo, pode desestimular a ideia de robôs para o atendimento nestes locais.


