Combate às 'fake news'
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quarta-feira, 21 de março de 2018
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
A gigante de buscas Google anunciou nesta terça-feira (20) que investirá US$ 300 milhões em uma iniciativa - a GNI (Google News Initiative) , que inclui mudanças na maneira como a plataforma apresentará conteúdo e financiamento de iniciativas contra a desinformação.
Segundo Philipp Schindler, vice-presidente sênior de Negócios do Google, em post no blog oficial da companhia, a Google tem três objetivos com a iniciativa: elevar e fortalecer o jornalismo de qualidade; evoluir os modelos de negócios para promover um crescimento sustentável (das empresas de notícias) e empoderar empresas de notícias com inovações tecnológicas. "As pessoas vêm ao Google para procurar por informações que possam confiar, e essa informação costuma vir de matérias de jornalistas e veículos de notícias em todo o mundo", justificou.

Dentre as ações da iniciativa, está um serviço de assinaturas para empresas de jornalismo. A empresa entrará com tecnologia para aumentar o número de pessoas que pagam por conteúdo jornalístico digital. Isso será feito em duas frentes principais. Na primeira delas, um novo serviço vai permitir que o usuário assine uma publicação usando sua conta do Google, que o manterá logado em todas as plataformas desse veículo. Também será adicionado um espaço na busca para que os assinantes de determinado jornal possam ver em destaque o material produzido por aquele veículo.
A segunda frente anunciada nesta terça para aumentar a cobrança por conteúdo digital diz respeito ao uso de tecnologia para indicar quem poderia ser um novo consumidor de determinado veículo. O Google entregará ao publisher dados que permitirão individualizar a tentativa de venda de seu conteúdo para cada pessoa.
Além de reforçar o investimento em educação midiática dos jovens, a empresa se comprometeu a trabalhar mais na identificação da chamada "mídia sintética", como vídeos alterados digitalmente para fazer com que uma pessoa pareça ter dito o que não disse. A empresa também se comprometeu a esforçar-se em melhorar a qualidade da informação médica entregue pela ferramenta de busca (o popular "doutor Google").
CONTEÚDO CONFIÁVEL
Schindler afirma em seu post que a Google já vem trabalhando com editores de veículos de comunicação para valorizar conteúdos precisos e de qualidade e impedir a disseminação de informações falsas. Dentro das plataformas da própria companhia, também se busca combater as informações enganosas, principalmente em casos de notícias de última hora, através de algoritmos que identificam conteúdo confiável, diz o vice-presidente ainda.
"Agentes ruins geralmente segmentam as últimas notícias nas plataformas do Google, aumentando a probabilidade de que as pessoas estejam expostas a conteúdo impreciso. Então, treinamos nossos sistemas para reconhecer esses eventos e ajustar nossos sinais para um conteúdo mais confiável. Existem desafios parecidos no YouTube, e estamos adotando uma abordagem semelhante, destacando conteúdo relevante de fontes de notícias verificadas na seção de 'Top News'." (Com Folhapress)
FACT-CHECKING GANHA ALIADOS
As iniciativas de checagem e divulgação de informações na internet também estão ganhando aliados na disseminação de informações confiáveis. Chamadas de fact-checking, essas iniciativas já podem ser acionadas pelo dispositivos com reconhecimento de fala Google Home e Amazon Echo. Por meio de aplicativos para os dispositivos, usuários podem fazer perguntas e checar a veracidade de informações, com destaque para assuntos da política norte-americana. A ferramenta ainda não está disponível na língua portuguesa porque o repositório nesse idioma ainda é insuficiente, explicou o professor de Jornalismo e Políticas Públicas na Duke University, Bill Adair.
O aplicativo foi apresentado pelo professor, em encontro com grupo de jornalistas brasileiros na US Innovation and Press Freedom Study Tour. As chamadas "fake news" (notícias falsas) foram um dos principais assuntos do evento, que consistiu em uma viagem aos EUA financiada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e organizado pelo ICFJ (International Center for Journalists) com visitas a redações de jornais e a instituições e empresas com iniciativas voltadas ao jornalismo e às notícias, e encontros com especialistas e autoridades com os temas inovação e liberdade de imprensa.
Adair é ganhador do prêmio Pulitzer com o seu projeto Politifact, site que faz a checagem de fatos da política norte-americana. Ele também falou sobre as perspectivas do fact-checking. Para ele, o futuro da ferramenta é a automação, com a checagem de dados em tempo real, ao mesmo tempo em que um político fala na TV, por exemplo. "O fact-checking aparecer na tela quando o político falar alguma coisa."
APP
Para fazer a checagem de fatos pelo Google Home, em inglês, basta pedir a ele: "OK Google, talk to Share the Facts." Share the Facts é o nome do aplicativo de fact-checking. O usuário pode fazer perguntas como "did Donald Trump oppose the war in Iraq?" (Donald Trump se opôs à guerra no Iraque?), "was Obamacare a failure?" (o Obamacare foi um fracasso?), ou "is it true that Donald Trump said climate change was a hoax?" (é verdade que Donald Trump disse que a mudança climática foi um boato?) e o assistente virtual do dispositivo irá buscar no banco de dados do Share the Facts uma resposta confiável. O repositório do app contém cerca de 9 mil checagens de fatos, segundo o site da organização Reporter Lab, criadora da ferramenta.
No caso do Amazon Echo, o usuário deve habilitar a função do Share the Facts no aplicativo da Alexa, a assistente virtual do equipamento. Para fazer perguntas, é preciso acionar o aplicativo dizendo "Alexa, ask the fact-checkers".


