Não satisfeitos por já carregarem dezenas de quilos de equipamento de som para as festas, de uns tempos para cá os rapazes do grupo carioca Power Mix aumentaram a carga do caminhão: incluíram três micros. Felipe Monteiro, Sílvio Henrique e Dieter Wanderley descobriram na rede as facilidades do formato de compressão de áudio MP3 e não largam os PCs:
‘‘Mas não somos DJs de computador não’’, apressa-se em explicar Felipe, de 15 anos. ‘‘Também temos caixas de som, amplificadores, três mixers, dois CD players profissionais e um par dos melhores toca-discos do mundo.’
A diferença é que agora os moços estão dando às placas de áudio Sound Blaster e Roland - que fazem os três Pentiums da equipe falarem alto - quase a mesma importância que sempre deram aos pick-ups SL 1200 MK2, os tais ‘‘melhores toca-discos do mundo’’. O formato de compressão MP3 está fazendo a farra de DJs porque além de ocupar menos espaço - pode-se dividir por 12 o tamanho de um arquivo - oferece qualidade considerada boa pelos profissionais do som.
A turma de Felipe usa o programa Sound Forge 4.0 para editar músicas e a versão 2 do Impulsive Tracker para fazer mixagens e samplers. Os dois programas foram baixados da Internet. O grupo tem uma página em http://members.xoom.com/scorpionnet/ onde o internauta pode fazer mixagens.
Guilherme Coelho Rocha, o DJ Coelho, também se diz um entusiasmado usuário do MP3: ‘‘Em festas mais sofisticadas levo meu micro para efeitos e samplers, tudo em MP3’’, afirma Coelho, que também tem uma página, em www.geocities.com/Broadway/Balcony/3132/.
O MP3 não surgiu ontem; como praticamente tudo em informática, teve um tempo de sedimentação e definição de padrão. O fato novo, agora, é que ele virou padrão e está definitivamente na boca - e no ouvido - do povo. Um reflexo disso é a quantidade de sites MP3 na Internet. Há de tudo. Sites de música grátis, sites piratas e ótimos programas para ler e gravar MP3. Outro indício da inequívoca popularidade do formato é a reação da indústria fonográfica, que já está nos tribunais, tentando frear a onda - o que parece ser impossível.
Para ter acesso às vantagens desta nova tecnologia, o primeiro passo é baixar um ‘‘gravador’’ e um ‘‘tocador’’ de MP3. Para isso, entre em www.mp3.com. Neste site, tudo é oficial e - mais importante - legal. Ou seja, não viola as leis de copyright. Quando já estiver no site, vá para a seção de software e baixe o programa Music Match (que requer no mínimo um Pentium 166). Ele é sensacional e resolve todos os seus problemas. Uma vez baixado e instalado, bote um CD de áudio no drive e escolha a opção ‘‘database’’. Este é o primeiro passo para criar um banco de dados, ou seja, uma coleção de músicas preferidas. Elas podem vir do HD, da web ou, no caso, de um CD.
Escolha ‘‘Add songs from CD’’. Na primeira vez que você fizer isso, ele vai testar seu drive e pedir seu nome para se conectar à Internet. Em seguida, o programa vai entrar no CDDB, site que reúne uma quantidade enorme de CDs. De lá, vai pegar, automaticamente, o nome do disco, do artista e de todas as músicas do seu disco! Um barato. Aí começará a digitalizar o seu CD, passando todas as músicas para MP3.
Aqui vale uma dica. O programa vai fazer duas coisas ao mesmo tempo: ler o CD e compactar em MP3. Se sua máquina não for rápida o bastante, a gravação vai parecer um disco arranhado. O programa tem um monte de parâmetros, mas depois de testado em cinco máquinas diferentes e conclusão é que ou ele funciona 100% perfeito ou nem adianta tentar. Se sua máquina não conseguir digitalizar direito, você ainda pode tocar MP3 digitalizado em outras máquinas ou baixado de sites. Quando o MusicMatch acabar, as músicas estarão gravadas no seu hardware. Você pode então arrastar as que bem entender para a play list, apertar play e pronto.
O MusicMatch tem seu próprio player, mas você também pode baixar o WinAmp, um player mais popular. O próprio MusicMatch admite isto e funciona igualmente bem com ele. Ambos, aliás, são excepcionais. A ponto de já terem virado padrão de mercado.
Tecnicamente, o MP3 é apenas um mecanismo de compactação. Apenas?! Bem, é um excelente mecanismo de compactação, que se baseia num algoritmo criado pela indústria cinematográfica e que é usado nos videos laser. Ou seja, ele usa os layers (camadas) de vídeo e de áudio.
O MP3 tem duas formas de compactação. A primeira garante qualidade de CD (CD Quality) em 128bps; a segunda, chamada de Near-CD Quality, compacta o arquivo em até 18 vezes, com perda de qualidade. O que está causando o auê todo em torno do MP3 é, justamente, o CD Quality. Pela primeira vez, um algoritmo de compactação de som eficiente vira padrão.
A combinação MP3-Internet é altamente explosiva. O número de sites oferecendo músicas comerciais piratas grátis cresce exponencialmente, e a indústria fonográfica já partiu para a guerra. Ninguém duvida do poder dessa indústria, cujo lobby quase matou o DVD, o Minidisc e o DAT. O seu principal receio é que exista uma forma de fazer cópias perfeitas e baratas de CDs. E é isto que o MP3 faz! O problema é que, quando uma coisa vira moda na web, nem todos os tribunais e todo o lobby do mundo conseguem evitar sua difusão. A indústria fonográfica está descobrindo isto da maneira mais difícil.
No ano passado, quando a Diamond lançou o Rio, foi processada por todos os lados.

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