Com licença, eu vou a luta!
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Iara Lessa Londrina 
J. PedroFuturoJovens vêem nos cursos de informática o caminho para a independência financeiraCarlos Alencar Silveira prefere deixar de lado suas horas de lazer para se dedicar, segundo ele mesmo, de corpo e alma às aulas de informática. Carlos, de apenas 15 anos, resolveu aprender informática, mais precisamente o Windows 95, depois que seu melhor amigo arrumou um emprego na área. Nunca pensei em trabalhar assim tão cedo. Achava que tinha que fazer um curso superior antes de começar a ganhar a vida. Mas agora estou só esperando terminar meu curso e sair por aí a procura de um trabalho.
Carlos, que frequenta uma escola de informática há cerca de nove meses, não é diferente da maioria dos meninos e meninas de sua idade que entram, cada vez mais cedo, em contato com a informática e já vislumbram trabalhar na área. Um pequeno levantamento informal pelas escolas de Londrina mostra essa forte tendência.
Para o coordenador de curso de uma escola em Londrina, Marcelo Augusto de Assis Dias, a informática é uma espécie de grito de independência de muitos jovens. Muitos adolescentes vêem a chance de começar a ganhar algum dinheiro e até a sair de casa depois de um curso de informática. Como é um mercado relativamente fácil para quem se dedica, é uma grande chance de começar a atuar em um mercado, que ao contrário de muitos outros, está em expansão em plena crise, acredita.
Buscando essa independência financeira está Olavo de Lima, 17 anos, há dois em uma escola de informática. Do alto de seus longos cabelos, Olavo acha que essa área é ideal para os jovens e cita o exemplo de Bill Gates, o bambambam da informática, dono da Microsoft, que, para Olavo é uma espécie de ídolo. Nas empresas dos Bill Gates só tem jovem trabalhando. Se o cara quiser pode ir até de bermuda e nem precisa cortar o cabelo. Que outro emprego assim você pode conseguir. Só de pensar em usar gravata me dá um desespero.
Olavo, que já fez curso de Windows 95, agora se dedica à coqueluche entre os jovens, o Corel Draw. Depois ele pretende ainda fazer um curso sobre home page, por que, segundo ele, quem não souber nada sobre Internet vai estar morto. O aluno ainda não saiu em busca de seu primeiro trabalho, mas aposta que não terá muita dificuldade. É o tipo de coisa que se você não consegue um emprego fixo pelo nemos dá para fazer uns bicos por aí e ir se segurando.
Já Tatiane Vieira Pereira, 16 anos, resolveu juntar a fome com a vontade de comer. Estudando há mais de um ano e meio, Tatiana se diz uma apaixonada pelo assunto e pretende trabalhar na área. É uma área ótima e quando você gosta fica melhor ainda. É também uma boa forma de conseguir uma colocação profissional, sem dizer que quem não sabe nada sobre o assunto acaba ficando muito por fora do mundo, acredita a menina.
Embora ainda ache cedo para se arriscar pelo mercado de trabalho, o aluno Renato Ruth, 15 anos, frequenta uma escola de informática há mais de um ano. Renato, que foi aprender as artimanhas dos computadores por influência de diversos amigos que já faziam o curso, está completamente satisfeito com o mundo da informática. Você sabe que aprender a lidar com computadores é importante, mas não imagina que é tão gostoso, diz Renato.
Toda essa precoce preocupação com o mercado de trabalho atingiu até mesmo os mais cabeças frescas. Luiz Eduardo de Castro, 14 anos, sempre foi fissurado em jogos. Ele conta que muitas vezes deixou de estudar para as provas para ficar horas, horas e mais horas na frente de um monitor enfrentando algum tipo de inimigo virtual. Luiz, que acredita que estudar é só um castigo da sociedade, resolveu, depois de muita pressão dos pais, frequentar um curso de informática. Já está fazendo o terceiro e quer mesmo virar um expert em Internet. É a primeira vez em minha vida que uma obrigação vira uma coisa legal. Quase tudo que eu comecei a fazer eu acabei largando. A informática é a primeira coisa que levo a sério até o fim. Foi bom, lá em casa largaram do meu pé e au fico horas na frente do monitor com a desculpa de que é trabalho de casa.


