Marina Lemle
Agência O Globo
Do Rio
No começo, era apenas você e o micro. Depois era você, outra pessoa e dois micros. O negócio foi dando certo e então era você, dois colegas e três micros. Aí começou a confusão. A impressora ligada num computador, o acesso à Internet noutro e vocês três sempre precisando mexer no micro alheio. Virou um tal de ‘‘salva um arquivo no disquete pra mim?’’, ‘‘imprime uma tabelinha aí?’’, ‘‘deixa eu checar o e-mail rapidinho?’’... uma loucura! Enfim: hora de botar os micros em rede.
Afinal, é por causa de casos assim que as redes estão cada vez mais comuns. São fáceis e baratas de montar e dão o maior adianto no trabalho.
Hoje, a comunicação entre micros serve basicamente para o compartilhamento de dados e periféricos, como jaz e zip drives, impressoras e fax.
‘‘Já houve tempo em que as redes serviam essencialmente para o compartilhamento de software, que ficava num servidor’’, explica Marcos Moraes, sócio e diretor de tecnologia do provedor Bridge On Line. ‘‘Mas hoje a capacidade de armazenamento dos micros é muito maior.’’
Os micros em rede são ligados por algum meio de comunicação - cabos ou, no caso das redes sem fio (wireless), raios infravermelhos ou sinais de rádio.
Nas redes com fio (em geral padrão Ethernet), a ligação mais usada é por cabo par trançado (ou UTP - Unshielded Twisted Pair). As redes com cabo UTP precisam de um hub, que na tradução literal seria um ‘‘concentrador’’, e que funciona como um benjamim. Encontram-se no mercado hubs de quatro a 48 portas (que permitem ligar até 48 computadores numa rede).
Cada micro precisa de uma placa de rede, que é ligada ao hub por um cabo UTP com conectores RJ-45 nas extremidades. Para uma rede doméstica ou de escritório pequeno, com cabeamento par-trançado, um hub de até oito portas, sem ter marca de primeira linha, é satisfatório e custa pouco: entre R$ 100,00 e R$ 150,00.
Se o objetivo é conectar só dois micros, pode-se fazê-lo diretamente pelo cabo UTP, sem hub. Também dispensa o hub a rede por cabo coaxial, cujo padrão mais comum é o RG-58. Liga-se o micro ao adaptador, este ao conector para cabo coaxial e, no fim, encaixa-se um terminador (peça de metal que fecha o circuito). Este sistema de rede está em desuso, porque se uma conexão se desfaz toda a rede cai.
Marcos Moraes conta que no Instituto Nacional de Surdos havia duas redes separadas, cada uma com 40 micros, ligadas, por cabos coaxiais, a um micro central com linha direta para a Internet.
‘‘Quando as crianças descobriram que bastava tirar puxar um fio para fazer todos os micros caírem não havia aula que chegasse ao fim’’, conta Moraes, que dava consultoria técnica à escola. ‘‘Quiseram economizar no projeto mas acabou saindo mais caro.’’
Placa-referência evita incompatibilidade
A placa de rede deve ter driver para Windows e seguir a especificação NDIS (Network Device Interface Specification), definida pela Microsoft e pela 3Com, a maior fabricante de modems e equipamentos de rede. A Novell também desenvolveu o seu próprio padrão para redes domésticas, o ODI, mas existe uma placa-referência, a ‘‘NE2000 compatível’’, que serve para qualquer PC rodando Windows. Esta placa trafega dados a 10 megabits por segundo.
Do Windows 95 em diante, todos os drivers e protocolos necessários para a ligação de micros em rede estão disponibilizados. No caso da versão 95, o único software a ser instalado é o de compartilhamento da conexão à Internet.
Uma opção que está entrando em moda são as redes sem fio, que funcionam por sinal de rádio ou por radiação infravermelha. A rede local wireless é bem mais lenta (um megabit por segundo contra dez ou cem das redes com fio), mas às vezes não ter preocupação com cabos é uma vantagem e tanto. E também existem no mercado kits prontos que facilitam a montagem de redes.
A Diamond Multimedia lançou na última Fenasoft a linha HomeFree, que usa ondas de rádio para transmitir dados a uma distância de até 400 metros e, segundo garante a empresa, através de paredes, pisos e tetos. O kit possibilita o compartilhamento de impressoras, modems, scanners, drives de CD-ROM e até de conexões de Internet, graças a um software de roteamento.
Bares usam redes sem fio para registrar pedidos
As redes wireless por infravermelho vêm sendo usadas em restaurantes e casas noturnas. Os garçons digitam os números relativos aos pratos e bebidas num aparelhinho de mão e no fim do pedido apontam o objeto para o captador do micro central e enviam o pedido, apertando um botão.
Além de ser o maior quebra-galho no trabalho em equipe, as redes servem para estimular o convívio familiar.
A família Vianna poderia criar uma nova versão para um velho ditado: ‘‘família que navega unida permanece unida’’. Paulo, o pai, responsável pelo gerenciamento de Internet e redes do campus da Praia Vermelha da UFRJ, montou uma rede doméstica, com um servidor, dois micros grandes e um notebook.
‘‘Quis testar em casa o que faço na universidade e agora também tenho o prazer de jogar em rede com as minhas filhas’’, explica. Marina, de 13 anos, e Joana, de dez, micreiras como o pai, adoram navegar em família, e só reclamam de uma coisa: o pai pode ver tudo o que elas salvam, mas ele tem uma àrea protegida por senha.

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