Colégio põe notas na Internet
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Agência Globo 
Agência GloboEm Jogos de Guerra um aprendiz de hacker, que quase provocou uma guerra nuclear, começou fraudando notasHá cerca de 15 anos, quando o filme Jogos de Guerra estreou nos cinemas, computadores ainda eram uma grande novidade em escolas particulares do Rio. A idéia de que um garoto de 17 anos pudesse entrar no sistema informatizado do colégio para fraudar notas, como acontecia no filme, parecia assombrosa. Que ele pudesse entrar no Pentágono, então, nem se fala.
Hoje a Guerra Fria não mete tanto medo, computador já é figurinha fácil na rede privada de ensino e alguns colégios do País já puseram boletins de seus alunos na Internet. A propósito, até agora, não se sabe de aluno que tenha tido a audácia do personagem de Matthew Broderick e falsificado o boletim, via Internet.
Os pais têm acesso a essas notas, a partir de uma senha que recebem na secretaria da escola. Para eles acabou aquela história de ouvir a desculpa esfarrapada de que a escola ainda não entregou o boletim, como conta a pedagoga Lúcia Moraes, mãe de duas alunas, de 14 e 15 anos, do Colégio Bahiense, do Rio, usuária do sistema: - O bom é que a gente pode acompanhar as notas de cada prova, não fica limitado ao boletim bimestral - conta ela, acrescentando que as filhas não gostaram nada disso, embora adorem bater papo na página da escola.
No entanto, não há como a vida imitar a ficção. Ou seja, será muito difícil um aluno ser bem-sucedido como David, o personagem de Broderick. Isso porque, no caso de alguns colégios tanto os dados quanto as rotinas do programa estão gravados no provedor de acesso. Ou seja, todos os arquivos gravados são somente de leitura e, por isso, não podem ser modificados.
Estamos falando tanto dos arquivos de texto, que têm as notas dos alunos com as respectivas disciplinas, quanto dos arquivos de rotina, aqueles que sabem procurar as informações. Nos arquivos de dados, cada nome do aluno corresponde a um número de matrícula e à senha digitada pelo usuário.
O sistema é muito parecido com o usado por demais colégios, de outros estados, que também disponibilizaram as notas na Internet. Em tempo: ainda que um estudante mais espertinho consiga fazer um upgrade nas notas, a esperteza não vai levá-lo longe. As notas na Internet são apenas mais uma forma de os pais se informarem. Os colégios continuam entregando o boletim tradicional, de papel. Ainda é o que vale como documento.


