Cola óssea pode substituir gessos e pinos em tratamentos
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quarta-feira, 06 de agosto de 1997
Cláudia Mattos Agência Estado 
Gessos, pinos, parafusos e placas, tão usados nos tratamentos de fraturas, estão com seus dias contados. O pesquisador norte-americano Jesse Jupter, da Universidade de Havard, uma das mais conceituadas instituições de ensino de todo o mundo, está obtendo sucesso no tratamento de fraturas com um produto que promete ser revolucionário: a cola óssea. Jupter apresentou semana passada, no Rio de Janeiro, os resultados de sua pesquisa durante o Congresso Internacional de Ortopedia e Traumatologia, o Ortra 97.
Injetada com seringa no local exato da fratura, a cola seca em dez minutos. Como a área fica sensível por algum tempo, é necessário usar um tipo de proteção no local por mais seis semanas, nada comparável aos incômodos e riscos de uma cirurgia para a colocação de pinos e aos longos meses de gesso e de repouso aos quais os pacientes com fraturas graves têm de se submeter atualmente.
A cola óssea não é nenhum superbonder, mas dá uma estabilidade muito maior ao paciente com fratura, disse o ortopedista José Sérgio Franco, um dos organizadores do congresso e que está acompanhando de perto a pesquisa de Jupter. Segundo Franco, após ser injetada no local da fratura, a cola secaria, preenchendo o espaço entre os dois pedaços do osso. Como é feita de substância biodegradável, em pouco tempo seria totalmente absorvida pelo corpo humano, tornando-se parte do osso.
Ajuda A aplicação da cola, feita de uma substância chamada apatita carbonata, de acordo com Franco, seria indicada para praticamente todos os casos de fratura e também para casos de tumores ósseos. No caso de um tumor, quando a parte interna do osso vai desaparecendo, é só preencher o buraco com a cola, explicou. A única contra-indicação seria para pacientes ainda em fase de crescimento e com fraturas na chamada linha de crescimento, áreas de cartilagens.
Para casos de pacientes idosos, no entanto, a aplicação da cola seria de grande ajuda, já que, em muitos casos, os óssos já estão tão frágeis que não aceitam a colocação de pinos. Franco acredita que a nova técnica está plenamente de acordo com a nova linha de tratamento que a medicina vem perseguindo. Em várias áreas da medicina, estão sendo desenvolvidas novas técnicas que evitam a intervenção cirúrgica, com as quais além de correr mais riscos, os pacientes têm uma recuperação mais longa.
A cola óssea ainda depende de mais testes para ter sua comercialização aprovada pela Federal Drug Administration, orgão regulamentador norte-americano. Franco defende que pesquiadores brasileiros se juntem ao projeto. Seria interessante a gente ver como funcionaria a cola óssea aqui no Brasil, país onde a população ingere menos proteínas que nos Estados Unidos, disse.


