Clonagem vegetal não é novidade
Marcos BorgesLuiz Gonzaga Esteves, do Iapar: pesquisa de plantas mais resistentesSe a clonagem é uma novidade nas experiências com animais, em vegetais ela vêm sendo estudada há décadas pelos pesquisadores. Foi nos anos 30 que as técnicas de cultura de células de tecidos vegetais começaram a ser utilizadas nas plantas. Essa técnica consiste em escolher uma célula vegetal e cultivá-la no meio apropriado para que ela se regenere e se transforme em uma planta novamente, explica o pesquisador Luiz Gonzaga Esteves do Instituto Agronômico do Paraná - Iapar.
Hoje, segundo o pesquisador, a Biotecnologia considerada moderna nos estudos com vegetais é a engenharia genética, que consiste em isolar um gene de uma espécie, fazer a clonagem utilizando as técnicas de cultura em tecidos vegetais e introduzí-lo em uma outra espécie. É a obtenção das chamadas plantas transgênicas, desenvolvidas em instituições de pesquisas como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias) e o Iapar.
No caso do IAPAR, o Instituto está com dois projetos financiados pelo CNPq: Obtenção de Plantas Transgênicas de Algodão para Resistência às Pragas e Isolamento de Genes para Resistência de Bactérias. Os projetos são interligados. Nós temos que saber qual gene da planta resistente ao algodão condiciona a resistência. Precisamos de um certo tempo e de mais pesquisadores para chegar a esse objetivo, explica Esteves.
Ele diz que, na natureza, existe uma bactéria produtora de uma toxina fatal para um inseto que destrói a plantação de algodão. Os pesquisadores esperam isolar o gene responsável pela produção dessa substância para introduzí-lo no algodão, tornando-o resistente à praga. Isso significa mais economia na utilização de inseticidas na lavoura.
SojaJá na sede da Embrapa na região de Londrina, o trabalho é voltado principalmente para pesquisa de soja, com melhoramento genético das plantas. Desde 1975, a instituição já criou mais de 40 cultivares, plantas resistentes a pragas e outros agentes nocivos. Calcula-se que, no Paraná, essas cultivares estão em 60% da área cultivada com soja.
Recentemente, a Embrapa desenvolveu-se outras 17 cultivares, seis para o Paraná e 10 para outras regiões. As novas cultivares são resistentes ao Cancro da Haste, uma doença causada pelo fungo Phomopis F. SP Meridionalis, que apodrece a haste da soja e já causou nas lavouras do País um prejuízo de mais de 300 milhões de reais.(T.S.)





