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A bolha voltou a ser manchete dos principais meios noticiosos de todo o mundo. Desde maio deste ano, a insólita realidade de altas ou baixas recordes fazem parte do dia-a-dia da bolsa de valores das empresas de tecnologia. São bilhões de dólares sumindo ou surgindo ao som de boatos, rumores ou especulações financeiras. Seria o retorno das tulipas holandesas do século 17?
Os valores exagerados das ações das empresas ponto.com são resultado das incertezas do mercado sobre o modelo de negócios que dominará a economia mundial nos próximos anos. E para apimentar ainda mais esse tempero, adicionaram-se alguns bilhões de dólares dos investidores de risco, dispostos a tudo para terem uma fatia garantida no market share, independentemente de qual mercado seja.
Desde o parafusos.com.br até a rocambole.com.br, todos representavam possibilidades infinitas de ganho e ninguém queria ficar de fora. As baixas taxas de juros nos Estados Unidos e Europa aumentaram ainda mais o apetite dos capitalistas por essas empresas emergentes.
Passaram dois anos e o dinheiro dos investidores de risco foi se tornando cada vez mais escasso, o fôlego das ponto.com foi se esgotando e as respectivas quebras aumentando. Temos até sites que se dedicam exclusivamente a fazer piada com as falidas da nova economia, como o www.fuckedcompany.com. Junto com isso, os questionamentos sobre a capacidade de dar lucros da rocambole.com.br foram aumentando. Os executivos dessa empresa começaram cortando as propagandas de dois minutos em horário nobre da Globo, pararam de pagar 500 mil dólares pelo strategic acelerator da consultora XYZ, venderam a máquina de fazer expresso do escritório e finalmente se mudaram para uma garagem num subúrbio de São Paulo.
E o que tudo isso significa? Que toda a Internet é uma imensa bolha? Definitivamente não! A bolha é representada pelos preços inflados de várias pequenas e médias empresas que surgiram agora e que dificilmente continuarão existindo num futuro próximo.
Muitos especialistas acreditam que a chamada bolha não explodirá, mas murchará gradualmente. O mercado está se tornando mais cauteloso e racional.
Entretanto, para nós, não importa se a Amazon.com vale 1 ou 100 bilhões de dólares. O que interessa é que a Internet é, para todas as empresas do mundo, mais uma importante, e quase essencial, ferramenta de marketing (propaganda e distribuição), de diferenciação com relação à concorrência e de diminuição de custos, principalmente de comunicação, para dizer o mínimo.
Hoje não são poucas as empresas que estão ganhando mercado, fortalecendo suas marcas, atendendo melhor seus clientes, economizando rios de dinheiro com fornecedores e distribuidores através de intranets e extranets, aumentando receitas e sendo obrigadas a rever velhos dogmas, tudo isso em função da rede mundial de computadores.
Para se ter uma idéia desses números, a Oracle economiza quantias monumentais por ano por utilizar sua comunicação interna e externa totalmente via web. A economia geral da empresa por usar a web chega a US$ 1 bilhão.
Por falar nisso, essa redução de custos é tão drástica que a Oracle vende a seus clientes (95% das grandes empresas americanas) as mesmas soluções que a faz economizar 10% do valor de mercado do Bradesco a cada ano. Enfim, mais do que um fenômeno especulativo, a Internet é uma arma fundamental para aqueles que desejam sobreviver à nova ordem mundial imposta pela globalização.
Ah, aliás, existem sim algumas empresas que estão ignorando a web para reduzir custos, conquistar novos mercados, diferenciar produtos e serviços e alavancar vendas, mas não precisamos perder muito tempo falando delas, pois logo terão que abandonar o competitivo mercado em que vivemos.





