Neurocientistas de alguns dos maiores laboratórios de pesquisa farmacêutica dos Estados Unidos estão encontrando novos modos de fazer os antidepressivos alcançarem os comandos centrais do cérebro, prometendo que a próxima geração de drogas terá uma mira melhor do que hoje. Eles também estão repensando seus planos de marketing para ter certeza de que suas drogas alcancem milhões de americanos no século 21.
A competição é feroz para ser o primeiro com esses inibidores de efeitos colaterais. Assim, cientistas da Eli Lilly descobriram os receptores cerebrais que estão atrasando os efeitos do Prozac e interferindo na vida sexual dos pacientes, e por volta de 2003, esperam ter drogas à venda que eliminam os dois problemas.
A Sanofi está desenvolvendo uma droga para resolver a queda da libido, uma que diminui os tremores e outra que previne a perda de memória que alguns pacientes experimentam quando tomam antidepressivos. No centro de pesquisa da Pfizer, em Groton, Connecticut, cientistas estão pesquisando drogas que previnem vertigem, náusea e dor de cabeça que alguns pacientes sofrem depois de tomar o produto Zoloft. Eles estão também tentando diminuir o tempo que leva para o Zoloft surtir efeito.
Por volta de 2007, James Heym, diretor de neurociências da Pfizer, espera trazer para o mercado um novo tipo de droga anti-ansiedade, antidepressiva que levaria dias, em vez de semanas, para surtir efeito. Há também muitas novas pesquisas sobre o neurotransmissor glutamato, que afeta vários comportamentos humanos, do desejo sexual e o humor à coordenação e aprendizado. Tantos receptores foram descobertos que os cientistas agora têm centenas de novas opções para desenvolver remédios que ajudem a regular essas funções.
Mais abrangentes Quem são os candidatos para essas novas drogas? Alguns médicos as confinariam a pacientes com sérias disfunções. Outros neurologistas pensam que elas têm aplicações mais abrangentes; eles prevêem um dia quando as milhões de pessoas que se voltam agora para o álcool ou a nicotina para aliviar a tensão poderiam tomar uma pílula. ‘‘Daqui a 20 anos, os extremos do que agora é considerado o raio de ação normal da experiência humana serão considerados patologia humana e serão capazes de serem modificados’’, disse Edward Bradley, vice-presidente senior de desenvolvimento clínico da Sanofi Research. ‘‘Nós estamos falando sobre um terço da população.’’
Junte-se a isso outro novo mercado para antidepressivos - crianças. Cerca de 5% dos americanos com menos de 18 anos sofrem de depressão, quase a mesma proporção de adultos. Apesar disso não há antidepressivos para eles. Assim, a SmithKline Beecham está testando o seu antidrepressivo Paxil em crianças. Eli Lilly e Pfizer ofereceram descobertas de testes pediátricos em suas drogas, Prozac e Zoloft. Bristol-Meyers Squibb e American Home Products estão obtendo a a aprovação pediátrica do FDA para uso em 2002. Talvez então eles possam ter seus apelidos.

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